MADRID, 8 jul. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã acusou nesta quarta-feira os Estados Unidos de cometer “uma grave violação” do memorando de entendimento assinado entre os dois países com seus últimos bombardeios contra território iraniano e afirmou que esses fatos, juntamente com os bombardeios de Israel contra o Líbano e a revogação, por parte de Washington, da autorização para a venda de petróleo iraniano, tornam “sem efeito” várias cláusulas do pacto, destinado a abrir caminho para o fim da guerra no Oriente Médio.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano denunciou uma “agressão militar por parte do Exército terrorista norte-americano” contra “centros de supervisão e vigilância” na costa sul do país, o que constitui “uma clara violação” da Carta das Nações Unidas e uma “flagrante violação” do memorando de entendimento, “que estabelece que as operações militares devem cessar”.
Assim, destacou que os “ataques reiterados” dos Estados Unidos, a revogação da licença de venda de petróleo, a “violação dos acordos” relativos às restrições de navegação no Estreito de Ormuz e os “atos terroristas do regime sionista” no Líbano “tornaram nulas partes importantes e fundamentais do acordo para pôr fim à guerra”.
“A responsabilidade pelas consequências perigosas dessa escalada de tensão recai sobre o regime norte-americano, que descumpriu o acordo”, alertou o ministério, que relembrou “a obrigação legal de todos os Estados, especialmente dos países vizinhos, de impedir que os agressores utilizem seu território e instalações para realizar ações agressivas contra o Irã”, conforme divulgado pela emissora de televisão pública iraniana, IRIB.
Nesse sentido, Teerã argumentou que “toda cooperação na prática do crime de agressão contra o Irã constitui cumplicidade e participação nesse crime”, ao mesmo tempo em que reiterou sua condenação às “repetidas violações” do acordo por parte dos Estados Unidos e relembrou a “responsabilidade” do Conselho de Segurança da ONU “para com a paz regional e internacional”.
Por fim, enfatizou que “as poderosas Forças Armadas do Irã, como já demonstraram repetidamente, não hesitarão em defender a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança nacional do Irã contra a agressão militar dos Estados Unidos (...) e atacarão a fonte e a origem da agressão”.
O comunicado foi publicado após os últimos bombardeios dos Estados Unidos contra o Irã, no que Washington descreve como uma resposta aos ataques contra vários navios no Estreito de Ormuz, onde o Irã exige que a navegação seja coordenada com Teerã em decorrência do conflito desencadeado pela ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, e até que se chegue a um acordo de paz definitivo.
Em seguida, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter “destruído” 85 instalações militares americanas localizadas no Bahrein e no Kuwait, bem como abatido um drone do tipo MQ-9 “inimigo”, em sua resposta militar aos bombardeios, o que representa um novo capítulo de tensões após o frágil cessar-fogo assinado em 8 de abril.
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