Publicado 15/04/2026 09:18

O Irã reitera sua disposição de negociar com os EUA “o nível e o tipo de enriquecimento” do urânio

Teerã ressalta que não desistirá de seu programa nuclear, parte de "seus direitos inalienáveis"

TEERÃ, 13 de março de 2026  -- O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, fala durante uma entrevista à Xinhua em Teerã, Irã, em 10 de março de 2026. PARA ACOMPANHAR "Entrevista: Irã lutará contra a agressão pelo tempo que
Europa Press/Contacto/Sha Dati

MADRID, 15 abr. (EUROPA PRESS) -

O governo do Irã reiterou nesta quarta-feira que está aberto a negociar com os Estados Unidos “o nível e o tipo de enriquecimento” de urânio no âmbito das conversações para tentar chegar a um acordo de paz, embora tenha ressaltado que não renunciará ao seu programa nuclear, que faz parte de “seus direitos inalienáveis”.

“Sobre o nível e o tipo de enriquecimento (de urânio), o Irã sempre afirmou que se trata de uma questão negociável, no âmbito das necessidades do país”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, que insistiu que “os direitos inalienáveis do Irã, incluindo o uso pacífico da energia nuclear, são um direito inerente ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e não podem ser negados”.

Assim, ele declarou em coletiva de imprensa que “até mesmo o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — em referência a Rafael Grossi — enfatizou que as afirmações de que o Irã está a semanas ou meses de obter armas nucleares não são verdadeiras”, conforme noticiado pela agência de notícias iraniana Mehr.

Baqaei acusou os Estados Unidos de levantar “preocupações” sobre o programa nuclear iraniano para ter “uma desculpa para exercer pressão”. “Essas contradições são graves e injustificáveis não apenas para a opinião pública iraniana, mas também para a comunidade internacional”, afirmou Baqaei, que enfatizou que “o programa nuclear iraniano foi confirmado repetidamente pela AIEA, não apenas como uma posição política, mas como um fato”.

Nesse sentido, ele sustentou que os contatos com os Estados Unidos “ainda não chegaram à fase de tomada de decisões”, ao mesmo tempo em que explicou que “em qualquer entendimento, inclusive sobre a questão nuclear, há vários componentes e múltiplas opções”.

“Devido ao fracasso dos Estados Unidos em cumprir seus compromissos nos processos diplomáticos e até mesmo ao fato de terem sido realizadas ações militares, muitos entendimentos anteriores foram abandonados”, explicou Baqaei, que argumentou que “resta saber se as negociações continuarão e qual opção poderá finalmente servir de base para um acordo”.

As palavras de Baqaei surgem depois que os Estados Unidos exigiram do Irã uma suspensão de 20 anos de suas atividades de enriquecimento de urânio para se chegar a um acordo de paz, em um momento em que as partes estão empenhadas em esforços para manter uma segunda rodada de conversações após os contatos infrutíferos de sábado na capital do Paquistão, Islamabad.

“Os Estados Unidos sugeriram um mínimo de 20 anos (para a suspensão dessas atividades de enriquecimento de urânio), com todo tipo de restrições”, explicaram fontes a par da proposta em declarações concedidas à Europa Press, rejeitando assim a possibilidade de os Estados Unidos concordarem, em troca disso, com a retirada das sanções, uma exigência do Irã, que defende seu direito de realizar essas atividades em conformidade com o TNP.

As negociações realizadas no Paquistão entre o Irã e os Estados Unidos, que terminaram sem acordo, ocorreram poucos dias depois de ambos os países terem acordado, em 8 de abril, um cessar-fogo de 15 dias para tentar alcançar um pacto que pusesse fim à referida ofensiva, lançada em meio às negociações entre Teerã e Washington para buscar um novo acordo nuclear, depois que os Estados Unidos abandonaram unilateralmente, em 2018, o acordo assinado três anos antes.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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