Marwan Naamani/dpa - Arquivo
O Bahrein afirma que não participará do encontro e denuncia os ataques iranianos contra o país durante a guerra
MADRID, 13 set. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reiterou neste domingo que a reabertura do Estreito de Ormuz depende do cumprimento, por parte dos Estados Unidos, de seus compromissos com o memorando de entendimento assinado em junho no Paquistão, tendo em vista a reunião que será realizada nesta segunda-feira em Omã para tratar da situação nessa rota estratégica.
“O tema central da reunião de amanhã em Omã é a nova rota marítima pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Araqchi em entrevista concedida ao jornal ‘Al Arabi Al Jadeed’, antes de acrescentar que Teerã “fornecerá aos países participantes os detalhes do acordo com Omã, bem como os mapas correspondentes à nova rota”.
No entanto, ele enfatizou que esse acordo com Omã “não implica, de forma alguma, a reabertura do Estreito de Ormuz”, ao mesmo tempo em que afirmou que “a condição imposta pelo Irã para reabrir o Estreito de Ormuz é que os Estados Unidos retomem os compromissos assumidos no memorando de entendimento de Islamabad”.
“O Irã sustenta que a responsabilidade de garantir a segurança e a estabilidade regionais recai exclusivamente sobre os países da região”, defendeu Araqchi, que demonstrou o desejo de Teerã de que o encontro em Omã “abrir o caminho para futuras consultas sobre questões de interesse para os países da região”.
Por sua vez, o governo do Bahrein garantiu na quinta-feira que não participará de uma reunião ministerial convocada em Omã, em meio aos transtornos à navegação decorrentes da ofensiva lançada de surpresa em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
O Ministério das Relações Exteriores do Bahrein indicou em um comunicado que Manama “não participará” da reunião “nem fará parte de qualquer reunião coletiva que inclua o Irã antes que as relações diplomáticas entre os dois países sejam restabelecidas”, uma posição já comunicada a Omã, que exerce funções de mediação.
Dessa forma, afirmou que “não pode haver um diálogo ignorando os fatos” e lembrou que o Bahrein tem sido alvo de ataques “contra sua infraestrutura e bens civis” no âmbito da resposta do Irã à referida ofensiva, à qual o país reagiu com bombardeios contra Israel e alvos norte-americanos na região do Oriente Médio.
Manama destacou que um desses ataques atingiu um tanque de amônia, “o que quase levou a uma catástrofe”, e acrescentou que o recente ataque contra um oleoduto na Arábia Saudita “confirma que os ataques contra instalações civis e econômicas continuam sendo um perigo presente, não uma questão do passado”.
Dessa forma, insistiu que “a segurança e a estabilidade na região não podem ser alcançadas ignorando esses ataques, não podem ser compradas por meio do silêncio sobre as consequências e não podem ser preservadas por meio de uma política de apaziguamento”, ao mesmo tempo em que reiterou a necessidade de garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
“Qualquer acordo sobre a navegação no Estreito de Ormuz deve basear-se na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, ser adotado pela Organização Marítima Internacional (OMI); preservar o direito de passagem em trânsito para todas as embarcações, sem discriminação, taxas ou autorizações; e contar com a contribuição de todos os Estados do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo (CCG), uma vez que a segurança dessa passagem está ligada à segurança de seus suprimentos”, concluiu.
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