Publicado 14/01/2026 09:27

O Irã promete processos rápidos para detidos em protestos suspeitos de matar civis ou agentes de segurança

Arquivo - O chefe do aparato judicial do Irã, Gholamhosein Mohseni-Ejei, em um evento em agosto de 2025 (arquivo)
Europa Press/Contacto/Iranian Presidency

Trump adverte que “tomará medidas muito firmes” se as autoridades executarem os detidos nas manifestações MADRID 14 jan. (EUROPA PRESS) -

O sistema judiciário do Irã prometeu nesta quarta-feira acelerar os processos contra os detidos durante as manifestações antigovernamentais acusados de matar civis ou membros das forças de segurança, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu Teerã contra a opção de executar os detidos pelos protestos.

O chefe do sistema judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni-Ejei, afirmou durante uma visita a um centro de detenção que “os responsáveis por decapitar ou queimar vivas pessoas nas ruas devem ser julgados e punidos o mais rápido possível”, segundo informou a rede de televisão pública iraniana, IRIB.

As palavras de Ejei foram proferidas horas depois de Trump ter advertido, numa entrevista à rede de televisão CBS, que os Estados Unidos “tomarão medidas muito firmes” caso o Irã comece a executar pessoas detidas e acusadas em relação aos protestos, depois de uma ONG ter denunciado que a primeira execução poderia ocorrer ainda esta quarta-feira.

O governo do Irã acusou “terroristas” de estarem por trás dos distúrbios dos últimos dias e de matarem civis e membros das forças de segurança para aumentar o número de vítimas, com o objetivo de dar uma “desculpa” a Trump para lançar uma intervenção militar no país centro-asiático.

O Ministério da Inteligência iraniano anunciou durante o dia que, até o momento, cerca de 300 pessoas envolvidas nos distúrbios foram detidas, incluindo vários “cérebros” das mobilizações na capital, Teerã, entre eles um acusado de incendiar duas mesquitas e matar dois membros da força paramilitar Basij.

O ministério destacou que as forças de segurança também apreenderam armas e explosivos durante as operações, antes de salientar que foram abertos 20 processos por supostas ligações entre essas pessoas e “grupos afiliados ao regime israelense”, após as acusações contra Israel e os Estados Unidos por incitar os protestos.

Nesse contexto, está previsto que ainda nesta quarta-feira seja realizado um funeral em homenagem a cem civis e membros das forças de segurança mortos durante os incidentes, conforme confirmado pelo diretor da Fundação dos Mártires, Ahmad Musavi, conforme divulgado pela rede de televisão iraniana Press TV.

A ONG Human Rights Activists (HRA) denunciou na terça-feira que 1.850 pessoas, incluindo nove crianças, morreram como consequência da repressão aos protestos e estimou em mais de 16.700 o número de detidos pelas forças de segurança iranianas. O número é muito superior aos 734 mortos denunciados pela organização Iran Human Rights (IHR), enquanto a HRANA, com sede nos Estados Unidos, fala de mais de 2.400 mortos.

As autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de incitar os protestos e apoiar os distúrbios, com seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, garantindo na segunda-feira que as manifestações resultaram em violência para dar uma “desculpa” ao presidente americano, Donald Trump, para intervir militarmente no país da Ásia Central.

Araqchi enfatizou ainda que “a situação está sob controle” das autoridades e das forças de segurança, ao mesmo tempo em que destacou que Teerã “não quer guerra, mas está totalmente preparada para uma” e apostou em “negociações justas” com os Estados Unidos, após as ameaças de Trump sobre um possível ataque ao território iraniano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado