Iranian Foreign Ministry/ZUMA Pr / DPA - Arquivo
MADRID, 2 jun. (EUROPA PRESS) -
O governo iraniano pediu nesta segunda-feira aos Estados Unidos que dêem garantias formais de retirada das sanções impostas a Teerã para que se chegue a um acordo final sobre o programa nuclear iraniano, após várias rodadas de conversas indiretas entre as partes nas últimas semanas.
"O que é importante para nós é que haja garantias sobre o fim das sanções impostas à nação iraniana", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, que afirmou que "até agora, o lado americano não quis esclarecer essa questão".
"Uma das demandas mais importantes em qualquer processo de negociação é a remoção das sanções. Se o problema for a ausência de armas nucleares, isso é algo que será alcançado", disse ele. "Mostramos, não com palavras, mas com ações, que não estamos nos movendo em direção às armas nucleares", acrescentou.
Ele também confirmou que Teerã recebeu uma proposta de Washington, embora tenha enfatizado que "receber um texto não significa que ele tenha sido aceito ou que seja aceitável", de acordo com a agência de notícias iraniana Mehr. "Apresentamos o primeiro texto à delegação dos EUA. Como regra, todo texto deve ser revisado e uma resposta apropriada será dada", explicou ele.
"Qualquer texto que contenha exigências radicais e maximalistas e ignore os direitos e interesses legítimos do povo iraniano não receberá uma resposta positiva", disse ele, enfatizando que "as diretrizes e estruturas existentes serão a base da resposta a qualquer texto proposto".
Por sua vez, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), Mohamed Eslami, reiterou na segunda-feira que Teerã não porá fim ao seu trabalho de enriquecimento de urânio no âmbito de um acordo com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, uma posição expressa pelas autoridades iranianas em diversas ocasiões.
"O enriquecimento é a base e o pilar da indústria nuclear, além de ser uma linha vermelha para a República Islâmica", disse Eslami. "Ninguém pode dizer ao Irã que ele não tem o direito de enriquecer (urânio)", disse ele, conforme relatado pela Press TV do Irã.
Eslami também rejeitou o último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as atividades do Irã, dizendo que ele era de "natureza política" e foi publicado após pressão dos EUA, Reino Unido, França e Alemanha.
"Sob a mesma influência e pressão, a agência publicou um relatório detalhado que é uma mistura de acusações e problemas repetidos do passado", argumentou ele, dizendo que a pressão desses países foi exercida "sob a influência do regime sionista", referindo-se a Israel.
O Irã e os EUA mantiveram uma série de contatos, cinco até agora, com a intenção de chegar a um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano. Espera-se que a sexta rodada desse processo - intermediada por Omã - se concretize em breve, embora nenhuma data tenha sido definida até o momento.
Os contatos entre o Irã e os Estados Unidos são os primeiros desse tipo desde a retirada de Washington, em 2018, do acordo nuclear histórico de três anos, uma medida tomada durante o primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021), que agora se moveu para relançar as negociações para tentar forjar um novo pacto com Teerã.
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