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Washington e Teerã criam “uma célula de resolução de conflitos” para “garantir o cumprimento do cessar-fogo” no Líbano
Araqchi vê na célula “o primeiro teste decisivo” e afirma que foram suspensas “as tarifas sobre o petróleo” e “o bloqueio” de Ormuz
MADRID, 22 jun. (EUROPA PRESS) -
O Paquistão e o Catar, países mediadores nas negociações em andamento entre os Estados Unidos e o Catar na localidade suíça de Burgenstock, afirmaram na madrugada desta segunda-feira que a primeira sessão “transcorreu em um ambiente positivo” e resultou em “avanços encorajadores”.
“A primeira sessão de conversas de alto nível no âmbito do Memorando de Entendimento de Islamabad foi concluída”, indicaram Islamabad e Doha em um comunicado conjunto, no qual destacaram que a cúpula “transcorreu em um ambiente positivo e construtivo” e que “foram alcançados avanços encorajadores”, entre os quais destacaram “a criação de um mecanismo para futuras negociações técnicas”.
Além disso, Washington e Teerã “acordaram a criação de um Comitê de Alto Nível que supervisionará politicamente a mediação” e ao qual os principais negociadores prestarão contas “periodicamente”. Estes, segundo o comunicado, “liderarão grupos de trabalho focados em questões nucleares, sanções e um grupo de acompanhamento e resolução de controvérsias para garantir a implementação efetiva do Memorando de Entendimento”.
Da mesma forma, de acordo com os prazos previstos, o referido comitê acordou um “roteiro para chegar a um acordo” em 60 dias, “estabelecendo as bases para o início imediato de novas negociações técnicas”.
O documento também enfatiza o estabelecimento de “uma linha de comunicação entre as partes” durante esse período, a fim de “evitar incidentes e mal-entendidos (e) com o objetivo de garantir a passagem segura dos navios mercantes pelo Estreito de Ormuz”, um dos principais pontos críticos das negociações.
O IRÃ SUGERE
Outro desses pontos é a campanha militar de Israel no Líbano, sobre a qual o Irã tem solicitado repetidamente sua suspensão. A esse respeito, Washington e Teerã concordaram com a criação de “uma célula de resolução de conflitos”, composta pelas partes, pela República Libanesa e facilitada pelos mediadores, para “garantir o cumprimento da suspensão das operações militares”.
“As conversas técnicas continuarão durante o resto da semana no complexo turístico de Burgenstock para abordar todos os temas”, afirma o comunicado dos países mediadores, que prometeram que “continuarão se empenhando ao máximo para garantir que as negociações ocorram em um ambiente construtivo, com o objetivo de chegar a um acordo final”, ao mesmo tempo em que agradeceram aos Estados Unidos e ao Irã “por seu compromisso constante com a diplomacia e a resolução pacífica do conflito”.
Esse tom contrasta com o que foi divulgado por fontes próximas às negociações pela agência de notícias Tasnim — subordinada à Guarda Revolucionária Iraniana —, que haviam informado anteriormente sobre a retirada dos negociadores iranianos em resposta a uma mensagem de Trump. De fato, especulou-se sobre a possibilidade de Trump ter publicado uma mensagem em tom mais moderado para facilitar as negociações.
“Eu disse a eles que, se fechassem o estreito, ficariam sem país. Nem mesmo poderão voltar para o seu maldito país”, havia afirmado o presidente norte-americano à rede Fox News em um momento crucial como é o início da cúpula diplomática de Bürgenstock.
Além disso, Trump voltou a insistir em sua ameaça de que os Estados Unidos poderiam perfeitamente tomar à força o estreito de Ormuz e até mesmo atuar como “cobrador de pedágio”, como fez o Irã durante o conflito.
O presidente afirmou que poderia até se tornar o “anjo da guarda do estreito e ficar com 20% do petróleo”. “Poderíamos assumir o controle do estreito, se necessário. Eu poderia arrasar o país se quisesse. E se eles não chegarem a um acordo, nós cobraremos os pedágios”, advertiu.
Por fim, Trump atribuiu ao Irã a culpa pelo novo recrudescimento da violência no Líbano, um fator que poderia inviabilizar as negociações. O presidente dos EUA afastou-se das críticas a Israel dos últimos dias e apontou diretamente para Teerã e sua relação estratégica com as milícias xiitas do Hezbollah.
Esse foi justamente um dos pontos destacados pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em relação ao comunicado conjunto do Catar e do Paquistão. O chefe da diplomacia iraniana afirmou que “a incansável mediação do Paquistão e do Catar permitiu alcançar avanços importantes para pôr fim à guerra no Líbano”, embora tenha considerado a célula de gestão de conflitos do Líbano como “o primeiro teste decisivo”.
Por outro lado, o ministro informou que “foram eliminadas as tarifas sobre as exportações de petróleo e produtos petroquímicos, o bloqueio foi suspenso, alguns ativos congelados foram desbloqueados e foi lançado um importante plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã”.
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