Iranian Foreign Ministry/ZUMA Pr / DPA - Arquivo
Ele enfatiza que "usar a dualidade de negociações e guerra aponta para uma falta de seriedade nas negociações".
Teerã critica a decisão dos EUA de estender a isenção do Iraque para as importações de eletricidade do Irã
MADRID, 10 mar. (EUROPA PRESS) -
O governo iraniano negou nesta segunda-feira ter recebido uma carta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na sexta-feira afirmou ter enviado uma carta ao líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, recomendando a abertura de negociações sobre o programa nuclear de Teerã e ameaçando com uma ação militar se não houver progresso diplomático.
"Não, nenhuma carta foi recebida", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, que enfatizou que "ameaças e o uso da força são proibidos por todas as leis e são uma violação em nível internacional", de acordo com a agência de notícias iraniana Mehr.
Ele argumentou que "a natureza dos formuladores de políticas dos EUA é de assédio e desrespeito às leis e aos direitos internacionais". "O uso da dualidade entre negociações e guerra aponta para uma falta de seriedade nas negociações. O Irã nunca se desviou das negociações sobre essa questão", enfatizou.
Baqaei estava respondendo à declaração de Trump à rede de televisão americana Fox News, na qual ele disse que havia enviado uma carta a Khamenei recomendando a reabertura das negociações e reiterando que Washington não permitirá que Teerã adquira armas nucleares, algo que as autoridades iranianas sempre descartaram oficialmente.
"Há duas maneiras de lidar com isso: ou por meios militares ou por meio de um acordo, e eu preferiria a segunda. Não quero prejudicar o povo do Irã. Conheço muitos iranianos neste país. Eles são um grande povo, mas vivem sob um regime muito severo", disse ele. "Nem todos concordam, mas acho que podemos assinar um acordo que funcione tão bem quanto uma vitória militar", disse ele, antes de enfatizar que "algo tem que ser feito, de uma forma ou de outra".
Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump retirou unilateralmente os EUA em 2018 do histórico acordo nuclear assinado com o Irã três anos antes e impôs uma bateria de sanções contra Teerã que levou o país a reduzir seus compromissos com o pacto até que Washington voltasse a cumprir suas cláusulas.
RETIRADA DAS ISENÇÕES PARA O IRAQUE
Baqaei também criticou a decisão dos EUA de não renovar a isenção da proibição da compra de eletricidade iraniana pelo Iraque como uma medida adicional para pressionar Teerã a retornar às negociações sobre seu programa nuclear.
"Essas declarações são uma admissão de ilegalidade e crimes contra a humanidade", disse ele, argumentando que "as sanções unilaterais dos EUA não têm justificativa legal e implicam a existência de responsabilidade (por esses atos) por parte do governo dos EUA".
"O importante é que os países da região tomem suas decisões com base em seus próprios interesses e não permitam que pressões ilegais afetem suas relações com a nação iraniana", disse Baqaei, que confirmou "contatos" com as autoridades iraquianas para tratar da situação.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou no domingo sua decisão de não renovar a isenção do Iraque, que foi declarada pelo ex-presidente dos EUA Joe Biden e deveria expirar neste fim de semana após várias extensões, dizendo que era uma importante fonte de financiamento para o Irã.
Nas últimas semanas, o governo dos EUA ofereceu ao Iraque a possibilidade de compensar esse déficit por meio de acordos com empresas norte-americanas, embora Bagdá dependa da eletricidade iraniana, já que seus programas de diversificação não estão totalmente desenvolvidos.
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