Europa Press/Contacto/Foad Ashtari
MADRID 23 jun. (EUROPA PRESS) -
As autoridades iranianas negaram nesta terça-feira ter mantido contatos com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, ao mesmo tempo em que rejeitaram a possibilidade de que seus inspetores realizem inspeções em instalações danificadas durante a guerra, depois que os Estados Unidos sugeriram a realização de inspeções nucleares imediatas no país da Ásia Central, no contexto das negociações realizadas na Suíça para avançar em um acordo final.
“Não tivemos nenhuma reunião com o diretor-geral da AIEA, nem temos planos de que a agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas em consequência da agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, em coletiva de imprensa, ressaltando que “não existe nenhum protocolo a esse respeito”.
Ao término da primeira sessão de contatos técnicos entre Washington e Teerã para implementar o acordo preliminar e avançar no texto final, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, indicou que o Irã permitirá o retorno das inspeções nucleares da AIEA, trabalhos que, segundo ele, seriam imediatos.
“Ontem à noite, por volta das 2h, tentamos ligar para alguns inspetores. Como era de se esperar, a essa hora não havia muitas pessoas atendendo o telefone. Mas acreditamos que algumas dessas conversas com os inspetores e com a AIEA possam ocorrer ainda hoje”, afirmou.
A questão nuclear iraniana é um dos elementos centrais do acordo preliminar assinado pelas partes, embora contenha poucas obrigações concretas e tudo fique pendente das negociações agora iniciadas, com prazo de 60 dias. Além de tratar de um mecanismo conjunto para resolver a questão das reservas de material nuclear, que contará com “metodologia” e “supervisão” da AIEA, o Irã e os Estados Unidos concordaram em manter o “status quo” enquanto negociam, sem que sejam previstas mudanças nem no programa nuclear iraniano, nem na política de sanções, nem na presença militar norte-americana.
De qualquer forma, Baqaei ressaltou que o Irã é um Estado-membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e um país “comprometido com os acordos de salvaguardas”, por isso defendeu que Teerã seguirá com os “procedimentos habituais”, insistindo que esses canais “são muito claros”.
CRÍTICA À RESOLUÇÃO DO CONSELHO DA AIEA
Além disso, Baqaei criticou a última resolução do Conselho de Governadores da AIEA, que, em 10 de junho, instou o Irã a declarar suas reservas remanescentes de urânio enriquecido e a permitir o acesso dos inspetores às suas instalações nucleares, por proposta dos Estados Unidos, do Reino Unido, França e Alemanha.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã criticou a “manobra política” dos países que promoveram a resolução crítica a Teerã e agradeceu à Rússia, à China e ao Níger por terem votado contra no Conselho. “Foi muito valioso”, afirmou.
“Estamos muito decepcionados com alguns países da região que, apesar de terem testemunhado a ação criminosa dos Estados Unidos e do regime sionista, votaram a favor dessa resolução”, repreendeu ele, referindo-se aos países do Golfo, depois de indicar que eles reagem “mesmo que um pequeno foguete exploda perto de suas próprias instalações nucleares”. “Esse duplo padrão é claramente inaceitável”, afirmou ele, em referência velada aos Emirados Árabes Unidos e ao incidente ocorrido na instalação nuclear de Barakah em meados de maio.
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