Iranian Presidency / Zuma Press / Europa Press
A Embaixada dos EUA no Iêmen acusa os houthis de “transformar seu país em uma base para que o Irã minem a unidade e a segurança árabes”
MADRI, 10 set. (EUROPA PRESS) -
O Ministério das Relações Exteriores do Irã defendeu, na madrugada desta quinta-feira, que os rebeldes houthis são “um ator iemenita independente que toma suas próprias decisões”, negando que se trate de uma organização “afiliada” a Teerã, depois que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tivesse afirmado o contrário no dia anterior.
“As mentiras de Marco Rubio não podem substituir os fatos. Ansaralá (nome oficial do movimento huti) é um ator iemenita independente que toma suas próprias decisões; não recebe ordens de ninguém nem atua como representante de ninguém”, afirmou nas redes sociais o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei.
Em seguida, o representante iraniano declarou que “as raízes da instabilidade na região residem nas intervenções militares e nas políticas hegemônicas dos Estados Unidos”.
“Se Washington realmente quisesse a paz, daria um passo muito simples: pôr fim às suas intervenções perniciosas e desestabilizadoras em nossa região”, retrucou, antes de defender que “a paz no Iêmen não pode ser imposta por meio de bombas e pressão externa”, mas que “começa com negociações genuínas baseadas no roteiro acordado pelas partes”, em alusão velada ao acordo-quadro alcançado entre Washington e Teerã e posteriormente abandonado na prática.
Baqaei respondeu assim a Rubio, depois que este declarou na terça-feira que “os houthis são, em muitos aspectos, agentes e representantes dos iranianos” e que, “claramente, por trás de parte disso está a mão do Irã”, em alusão aos ataques da milícia rebelde contra a Arábia Saudita, além dos realizados contra o governo iemenita reconhecido internacionalmente.
“Os Estados Unidos mantêm uma relação militar defensiva muito sólida com a Arábia Saudita e estamos acompanhando de perto esses acontecimentos”, destacou ele, antes de mencionar também os confrontos entre os houthis e as forças governamentais iemenitas.
Embora as acusações relativas aos laços entre houthis e iranianos sejam antigas, os Estados Unidos têm dado maior ênfase a isso nos últimos dias, como fez nesta quarta-feira sua Embaixada no Iêmen, afirmando nas redes sociais que “as ações dos houthis desencadearam a atual escalada com o apoio, amplamente documentado, do Irã”.
A embaixada fundamentou sua afirmação alegando que isso foi “reconhecido pelo Conselho de Segurança da ONU em sua declaração de 7 de agosto”, embora o texto divulgado na ocasião não faça qualquer menção ao Irã. O mais próximo disso é uma alusão à resolução 2216 de 2015, que “proíbe o fornecimento, venda ou transferência de armas e material relacionado, bem como a assistência técnica, o treinamento e a ajuda” a vários grupos e entidades, “incluindo os huti”.
No entanto, a representação dos Estados Unidos insistiu que “os terroristas houthis e seus aliados iranianos cometeram um erro de cálculo ao subestimar a determinação do governo legítimo da República do Iêmen, das Forças Armadas do Iêmen e do povo iemenita em pôr fim à agressão e à brutalidade dos houthis”.
“Os huti só trouxeram sofrimento ao Iêmen e transformaram seu país em uma base para que o Irã minem a unidade e a segurança árabes”, concluiu a Embaixada dos Estados Unidos.
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