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MADRID, 25 ago. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã minimizou, nesta segunda-feira, a guerra econômica lançada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica — descrita por Washington como a “maior ofensiva financeira já orquestrada” —, afirmando que o país norte-americano “há muito tempo vem tentando cortar as artérias econômicas” de Teerã.
“Eles fizeram muitas tentativas durante esse período, tentaram colocar à prova a maioria do povo iraniano e os funcionários do país, e fracassaram em todas as ocasiões, e, aparentemente, querem fracassar novamente”, afirmou o ministro da Economia iraniano, Alí Madanizadé, em entrevista à radiotelevisão estatal IRIB, enquadrando a nova campanha anunciada pelo governo de Donald Trump como parte de uma conduta de longa data.
No entanto, ele se referiu especificamente a essas novas medidas, embora tenha enfatizado que, desde a Casa Branca, “há muito tempo vêm tentando cortar as artérias econômicas” do Irã. “O mundo unipolar já ficou para trás e eles querem revivê-lo, mas vão perceber que não conseguirão. As artérias financeiras e econômicas do mundo não são tão simples a ponto de se pretender cortar” as de Teerã, alegou ele.
Nesse sentido, o ministro da Economia iraniano argumentou que Washington já “tentou isso durante o cerco anterior e fracassou”, embora tenha reconhecido que “o povo sofreu muito”.
“Nos solidarizamos plenamente com o povo. Entendemos o que significam a inflação, a pressão cambial e a escassez”, aprofundou ele, antes de, em seguida, defender a atuação do Executivo, que “se concentrou em deter essas tentativas desesperadas de cortar essas artérias financeiras e comerciais”.
Da mesma forma, questionado sobre as negociações do governo Trump com outros países para que participem de sua operação econômica contra a República Islâmica, Madanizadé defendeu que isso é algo que a Casa Branca “já fez antes”, mas que Teerã já manteve e continua mantendo conversações com seus parceiros e que “todos os ministérios têm planos detalhados” de ação.
Suas declarações foram feitas horas depois de o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ter ameaçado com sanções qualquer país que mantenha laços comerciais com o Irã, incluindo a China, a fim de alcançar um isolamento total da economia iraniana.
O discurso de Bessent, no entanto, não trouxe grandes novidades em relação ao que ele próprio e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já haviam adiantado sobre a operação.
QALIBAF: “OS EUA NÃO ESTÃO EM CONDIÇÕES DE RESTRINGIR SUAS RELAÇÕES”
De fato, poucos minutos antes do início de sua coletiva de imprensa, o chefe da equipe de negociação do Irã e presidente do Parlamento, Mohamed Baqer Qalibaf, rebateu a postura do Executivo norte-americano, afirmando que “os Estados Unidos não estão em condições econômicas de restringir ainda mais suas relações com outros países”.
Em uma publicação nas redes sociais, Qalibaf classificou como “absurdos” as advertências de Washington aos Estados que não se alinharem com o governo Trump em sua campanha econômica contra Teerã.
“Os americanos sabem que ninguém acreditará nessas bobagens; os Estados Unidos não estão em condições econômicas de restringir ainda mais suas relações com outros países”, destacou ele na mesma postagem.
A esse respeito, ele garantiu que os aliados da República Islâmica não responderão a tal discurso: “Os parceiros comerciais do Irã deixaram claro para nós, tanto na mídia quanto por meio de mensagens que nos enviaram, que não levam a sério essas declarações”, afirmou ele.
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