Publicado 27/08/2026 02:18

O Irã insta a ONU a rejeitar a guerra econômica dos EUA, que “obriga” os Estados a “modificar suas relações”

Denuncia um “ato de terrorismo de Estado” e pede a Guterres que “avalie as consequências humanitárias” da campanha

TEERÃ, 11 de agosto de 2026  -- O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, participa de uma cerimônia na qual o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Saúde do Irã assinam um memorando de entendimento (MoU) sobre cooper
Europa Press/Contacto/Sha Dati

MADRID, 27 ago. (EUROPA PRESS) -

O governo do Irã instou os membros das Nações Unidas e o Conselho de Segurança a “condenar e rejeitar” a nova ofensiva econômica lançada pelos Estados Unidos e a “abster-se de aprovar ou implementar” o que descreve como “medidas coercitivas unilaterais” com o objetivo de “obrigar” outros Estados a “alterar suas relações”.

Isso foi feito por meio de uma carta enviada pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, ao secretário-geral da ONU, António Guterres, na qual o primeiro critica repetidamente a “operação de exclusão econômica” lançada pelo governo de Donald Trump contra a República Islâmica, na qual ele classifica como um “ato de terrorismo de Estado”.

Essas medidas, alegou Araqchi, “representam uma tentativa de estender as leis e políticas dos Estados Unidos além dos limites de sua jurisdição legítima e de vincular as decisões econômicas soberanas de outros Estados a decisões tomadas unilateralmente em Washington”.

“Ataca deliberada e indiscriminadamente civis e foi concebida para contornar as proteções que lhes são garantidas pelo Direito Internacional”, denunciou ele, alertando que “impõe uma punição coletiva ao privá-los deliberadamente do acesso a alimentos, medicamentos, equipamentos médicos, energia e outras necessidades básicas”.

Além disso, argumentou que a campanha financeira dos Estados Unidos “é um claro desvio da sentença e da ordem da Corte Internacional de Justiça (CIJ)” de 3 de outubro de 2018, que instava o Executivo norte-americano, durante o primeiro mandato de Trump, a retirar as sanções contra as importações de bens e produtos humanitários e os serviços relacionados à segurança da aviação civil.

“Ou defendemos os princípios da igualdade soberana, da não ingerência e do respeito aos direitos soberanos dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas; ou nos rendemos ao unilateralismo e à intimidação de um Estado desonesto”, afirmou Araqchi.

Nesse contexto, Teerã instou “o Conselho de Segurança e todos os membros das Nações Unidas a condenarem e rejeitarem o uso de medidas coercitivas unilaterais e sanções secundárias por parte dos Estados Unidos como ferramentas para obrigar Estados soberanos a alterar seus interesses econômicos e relações comerciais legítimas”.

Nesse sentido, ele instou os citados a “absterem-se de reconhecer, aprovar ou implementar tais medidas que busquem vincular seus direitos soberanos a políticas impostas unilateralmente pelos Estados Unidos”.

Além disso, Araqchi solicitou a Guterres, por meio do documento em questão, que “avalie e informe sobre as consequências humanitárias e em matéria de direitos humanos dessas medidas (...) e que garanta que as evidências pertinentes sejam avaliadas, documentadas e preservadas de forma independente para fins de prestação de contas e responsabilização futuras”.

Já em âmbito exclusivamente nacional, a República Islâmica, segundo a carta, “exige que os Estados Unidos cessem imediatamente suas ameaças e ações coercitivas destinadas a obrigar países terceiros e seus cidadãos a alterar suas relações e interesses econômicos legítimos”.

Além disso, o ministro das Relações Exteriores iraniano advertiu que “o ato ilícito internacional cometido pelos Estados Unidos ao conduzir uma campanha de terrorismo econômico por meio de medidas coercitivas unilaterais acarreta responsabilidade internacional”, abrindo caminho para reivindicar sua “obrigação de indenizar integralmente todos os danos sofridos, tanto materiais quanto morais, incluindo o restabelecimento do ‘statu quo’ anterior, o pagamento de indenizações e a reparação, em conformidade com as exigências do Direito Internacional”.

TEERÃ ZOMBA DOS CONTATOS DOS EUA COM O BAHREIN

Até o momento, poucos países se pronunciaram sobre sua posição em relação à guerra econômica lançada pelos Estados Unidos contra o Irã, na qual Washington ameaçou com sanções aqueles que mantiverem relações com Teerã.

A China, porém, o fez: seu governo garantiu que adotará “todas as medidas necessárias” para “proteger firmemente seus direitos e interesses legítimos” diante de qualquer ação por parte dos Estados Unidos contra o gigante asiático devido aos seus laços econômicos e comerciais com o Irã, uma medida elogiada pelo chefe da equipe de negociação do Irã e presidente do Parlamento, Mohamed Baqer Qalibaf.

Os Estados Unidos, em uma espécie de campanha internacional de pressão, mantiveram conversações com outros países a esse respeito. De fato, o secretário do Tesouro conversou com o ministro das Finanças do Bahrein, Salmán bin Jalifa al Jalifa, para tratar da referida operação.

Nessa ligação, Bessent “enfatizou a importância de manter uma pressão financeira constante sobre os principais pilares econômicos do Irã e ressaltou que os Estados Unidos exigirão responsabilização daqueles que apoiam financeiramente o regime”, conforme divulgado nas redes sociais pelo Departamento do Tesouro.

O departamento também informa que “ambos os responsáveis concordaram com a importância de uma coordenação contínua entre os Estados Unidos, o Bahrein, os parceiros do Conselho de Cooperação (dos Estados Árabes) do Golfo e a comunidade internacional em geral para combater as finanças ilícitas e fortalecer a segurança econômica”.

Essa troca, no entanto, foi avaliada por Teerã como uma demonstração da “autêntica paródia” em que se tornou “a política de Washington em relação ao Irã”, afirmou nas redes sociais o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei.

“Recorre ao Bahrein — um país que praticamente não mantém relações econômicas significativas com o Irã — para demonstrar que sua ‘coalizão’ funciona. Em seguida, ‘suspende’ os intercâmbios esportivos e acadêmicos com o Irã que, na prática, estavam inativos há anos”, escreveu Baqaei em uma postagem sarcástica que culmina com a ironia de que o governo Trump “está sancionando quem já está sancionado e chamando esse vazio de ‘coalizão’”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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