Europa Press/Contacto/Sha Dati
MADRID, 30 mar. (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Irã insistiram nesta segunda-feira que não há contatos diretos com os Estados Unidos e questionaram a disposição do presidente norte-americano, Donald Trump, para negociar, após ressaltarem que Teerã não participa do quadro criado pelo Paquistão, país que lidera, juntamente com o Egito, a Arábia Saudita e a Turquia, uma iniciativa para pôr fim ao conflito.
“Até o momento, não tivemos negociações diretas com os Estados Unidos”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, segundo informa a agência Tasnim, embora o porta-voz tenha indicado que o Irã recebeu mensagens “por meio de intermediários”, nas quais se indica que Washington deseja negociar o fim da guerra.
Nesse sentido, ele ressaltou que as primeiras propostas do lado americano para acordar a cessação das hostilidades são “excessivas e irracionais”.
Depois que, durante o fim de semana, o Paquistão reuniu os ministros das Relações Exteriores da Turquia, da Arábia Saudita e do Egito em Islamabad e informou que receberá contatos entre os Estados Unidos e o Irã “nos próximos dias”, Baqaei ressaltou que Teerã não participou dessa iniciativa, indicando que aguarda os passos que possam ser dados, mas reiterando que o foco deve recair sobre os Estados Unidos e Israel como iniciadores da guerra há mais de um mês.
“As reuniões realizadas pelo Paquistão constituem um quadro que eles próprios estabeleceram e no qual não participamos. É positivo que os países da região se preocupem em pôr fim à guerra, mas devem ter cuidado com quem a iniciou”, argumentou.
De qualquer forma, Baqaei duvidou da vontade de negociar dos Estados Unidos, indicando que nem mesmo o povo americano leva a sério a iniciativa de Trump. “Nossa tarefa é clara, ao contrário da outra parte, que não para de mudar de postura. O Irã tem sido claro quanto à sua posição desde o início, e conhecemos perfeitamente o quadro que estamos considerando”, expôs.
DENUNCIA ATAQUES A INSTALAÇÕES NUCLEARES
Baqaei denunciou as ações empreendidas pelos Estados Unidos e por Israel contra instalações nucleares, afirmando que se trata de “crimes” no contexto da guerra e lamentando a posição da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). “De acordo com o estatuto da AIEA, essas ações são criminosas, e o mais lamentável é a indiferença da AIEA e de (Rafael) Grossi”, indicou, em referência ao seu diretor-geral.
Assim, ele criticou duramente o diplomata argentino, a quem acusa de, “pela enésima vez”, adotar uma abordagem “totalmente errada”. “Em vez de condenar os agressores, ele utilizou em suas entrevistas frases que complicam ainda mais o problema. A mera menção de tal possibilidade por parte de uma entidade responsável pela não proliferação nuclear é inaceitável”, assinalou.
O porta-voz iraniano lamentou a falta de imparcialidade e insistiu que a AIEA deve condenar as violações à segurança nuclear.
Trump mudou sua estratégia em relação ao Irã e agora insiste em relançar um processo de negociação que ponha fim à guerra e garanta que a República Islâmica desmantele suas instalações nucleares e limite seu arsenal de mísseis balísticos.
Os Estados Unidos encontram-se, assim, numa espécie de “impasse” na guerra, após o presidente norte-americano ter prorrogado seu ultimato até 6 de abril para atacar infraestruturas elétricas, a fim de que a diplomacia possa avançar — o que é visto como uma aposta na negociação, ao mesmo tempo em que aumenta a ameaça militar sobre o Irã caso este não cumpra os termos de um acordo impulsionado por Washington.
De qualquer forma, Israel, à margem da estratégia dos Estados Unidos, lançou dois ataques na última sexta-feira contra uma usina de água pesada na província de Arak e uma fábrica de óxido de urânio concentrado na província de Yazd, no centro do Irã.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático