Publicado 25/06/2026 11:38

O Irã se faz eco das declarações de Rutte sobre os ataques lançados a partir da Itália e da Romênia: “É um ato de agressão”

MADRID 25 jun. (EUROPA PRESS) -

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Qaribabadi, repercutiu nesta quinta-feira as declarações do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, sobre o uso, por parte dos Estados Unidos, de bases na Europa — especificamente na Itália e na Romênia — para lançar o ataque contra Teerã, posteriormente matizadas pela OTAN, para enfatizar que se trata de um “ato de agressão”.

“O fato de a Itália e a Romênia abrigarem ataques norte-americanos contra o Irã é um ato de agressão”, afirmou ele em declarações divulgadas pela emissora de televisão iraniana IRIB, após ressaltar que isso “gera responsabilidade internacional por parte desses países”.

“A cessão de território por parte de um Estado para que um terceiro Estado o utilize para cometer agressões contra outro Estado é considerada um ato de agressão”, alertou o “número dois” do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Dessa forma, a República Islâmica faz eco da polêmica gerada por Rutte, que, em uma entrevista à rede Fox News, destacou que a Itália havia permitido que o Exército dos Estados Unidos operasse centenas de voos em suas bases. Em uma tentativa de apresentar a Europa como uma “plataforma” para o poder militar dos Estados Unidos, ele chegou a afirmar que “país após país, aliado após aliado” colocaram suas bases “à disposição para a operação Fúria Épica”, para depois destacar o papel da Itália e da Romênia.

As autoridades italianas, no entanto, se distanciaram dessas declarações e, em um comunicado, o Ministério da Defesa italiano ressaltou que não autorizou os Estados Unidos a usar as bases americanas para lançar ataques contra o Irã, enfatizando que Roma “não concedeu autorização” para operações que excedessem aquelas de “caráter técnico e logístico”.

Criticou que o líder da OTAN “faça uma reconstrução dos fatos que transmite uma mensagem totalmente errônea ao confundir a natureza dos voos autorizados”. “Bastaria uma verificação direta das informações para obter uma representação fiel do que ocorreu e do que ocorre todos os dias”, acrescentou ele sobre as palavras do ex-primeiro-ministro holandês.

Posteriormente, a OTAN esclareceu que Rutte se referia, em suas declarações, ao “apoio logístico ou técnico” prestado pela Itália no âmbito de seus acordos bilaterais para o uso de bases militares e sobrevoos.

“O secretário-geral destacou como os aliados, incluindo a Itália, cumpriram seus acordos bilaterais existentes no contexto do uso de bases e sobrevoos. O tipo de apoio ao qual ele se referiu está relacionado à logística ou ao apoio técnico”, detalhou a porta-voz da Aliança Atlântica, Allison Hart, em declarações à imprensa.

CONTATO ENTRE O IRÃ E A ITÁLIA

A polêmica foi abordada precisamente nesta quinta-feira em uma conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e seu homólogo italiano, Antonio Tajani, que enfatizou que o país “nunca participou de nenhuma iniciativa militar e nunca autorizou o uso de bases para ações de guerra contra o Irã”, conforme informou o próprio ministro italiano nas redes sociais.

Por sua vez, Araqchi agradeceu o esclarecimento de seu colega e “enfatizou a necessidade de que o governo italiano desminta de forma clara e oficial essas declarações”.

Por outro lado, Tajani insistiu junto ao Irã na “total abertura” do Estreito de Ormuz para a passagem de todos os navios cargueiros italianos que permanecem bloqueados na região. “A reabertura da embaixada italiana em Teerã é um forte sinal de diálogo, também com vistas à retomada das relações econômicas e culturais”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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