Publicado 12/06/2026 09:36

O Irã exige que os EUA liberem US$ 10 bilhões, garantam a paz no Líbano e suspendam por 60 dias as negociações sobre o Estreito de O

Teerã insiste que a assinatura de um possível “memorando de entendimento” neste fim de semana não diminui sua desconfiança em relação a Trump e Israel

Archivo - Arquivo - 6 de maio de 2026, Irã, Irã: Apoiadores do governo agitam bandeiras nacionais durante uma manifestação organizada pelo Estado, em meio a um cessar-fogo no conflito envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel. O Reino Unido, a França,
Europa Press/Contacto/Iranian Supreme Leader'S Off

MADRID, 12 jun. (EUROPA PRESS) -

O Irã condiciona a assinatura de um possível “memorando de entendimento” com os Estados Unidos à liberação imediata de 12 bilhões de dólares (cerca de 10 bilhões de euros) de seus ativos congelados por Washington, garantias de que Israel não atacará o Líbano, e adiar por até 60 dias após o acordo qualquer conversa sobre seu programa nuclear e o status do Estreito de Ormuz, atualmente sob seu controle, de acordo com a posição de Teerã divulgada por seu porta-voz das Relações Exteriores e pela mídia oficial do país.

A agência Mehr publicou a versão iraniana dos 14 pontos que compõem, neste momento, o rascunho deste documento, concebido, por enquanto, como um marco a partir do qual se aprofundará a negociação rumo a um acordo final. A versão norte-americana publicada pelo portal Axios apresenta certos pontos de consenso, mas também há nuances a serem consideradas: haverá uma reabertura da passagem de navios por Ormuz, mas o controle iraniano sobre o estreito não será tratado até agosto, no mínimo, e a questão do descongelamento de ativos está em discussão, mas Washington a concebe em etapas que serão liberadas caso se constate que o Irã cumpre sua parte.

No que diz respeito ao Líbano: Teerã exige garantias de segurança de que Israel cessará seus ataques no Líbano, algo a que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, avisou que Israel se submeterá, enquanto os Estados Unidos percebem, em termos gerais, a assinatura do memorando como uma prorrogação por 60 dias de uma cessação de hostilidades que, neste momento, está sendo violada tanto pelo Exército israelense quanto pelas milícias do Hezbollah.

Embora o programa nuclear do Irã não seja discutido de forma definitiva até que se completem 60 dias deste acordo preliminar, o memorando prevê que o Irã aceite, com sua assinatura, que não desenvolverá armas nucleares, algo que Teerã vem afirmando há anos que não tinha intenção de fazer. ** No rascunho divulgado pela agência iraniana, Teerã reitera seu compromisso com o Tratado de Não Proliferação, enquanto os aspectos mais espinhosos das negociações, ou seja, o programa de enriquecimento de urânio e os supostos 400 quilos de urânio enriquecido que existem no Irã, ficam em suspenso.

SITUAÇÃO EM ORMUZ

Sobre a situação em Ormuz, o Irã prevê a reabertura do estreito dentro de 30 dias com acordos iranianos, já que Teerã, neste momento, cobra pedágios e entende que o bloqueio é uma questão estritamente regional que diz respeito apenas à República Islâmica e a Omã, país com o qual compartilha a passagem. Por outro lado, Washington fala de um levantamento imediato do bloqueio.

"Os Estados Unidos não terão praticamente nenhum papel na futura administração do Estreito de Ormuz, e foi declarado claramente que o futuro da administração do Estreito de Ormuz se baseará na iniciativa e na proposta do Irã no âmbito de uma questão relacionada aos países da região", segundo a agência oficial de notícias IRNA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu como prioridade absoluta que o Irã garanta novamente o caráter pacífico de seu programa nuclear, mas Teerã acrescenta mais “linhas vermelhas” relativas à sua indústria petrolífera. Antes do início das “negociações finais” em agosto, os Estados Unidos terão que suspender primeiro as “sanções ao petróleo iraniano, produtos petroquímicos e derivados”, segundo o rascunho da Mehr.

Durante os 60 dias de negociações após a assinatura do memorando, o Irã quer tratar da situação de todos os seus ativos congelados e discutir os termos de um possível programa de reparações pelos danos causados pelos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel. Para esse fim, Teerã já propôs indenizações no valor de 260 bilhões de euros, embora os Estados Unidos não tenham se pronunciado sobre esse aspecto.

De qualquer forma, o primeiro passo é assinar o memorando, o que poderia ocorrer no próximo domingo, no mínimo, em Genebra, na Suíça, segundo fontes próximas às negociações à agência Bloomberg. A esperada reabertura do Estreito de Ormuz, ainda sem saber em que condições, poderia ocorrer durante a cúpula dos líderes mundiais do Grupo dos Sete (G7) na próxima semana em Évian, nos Alpes franceses, de 15 a 17 de junho.

DESCONFIANÇA ETERNA

Teerã adverte, no entanto, que a possível assinatura do memorando de forma alguma serve para dissipar suas suspeitas sobre os Estados Unidos, sua capacidade de conter Israel ou uma nova “traição”, como os iranianos já lamentaram muitas vezes, na forma de ataques norte-americanos em plena negociação, como ocorreu no verão passado e como ocorreu em fevereiro, quando a guerra eclodiu.

“Enquanto falam de diplomacia e negociações, recorrem à força e a ações ilegais e criminosas”, lamentou ontem à noite o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqaei, em uma entrevista televisionada.

O porta-voz iraniano afirmou que as linhas fundamentais do memorando estão “praticamente finalizadas”, mas, como já denunciaram no fim de semana passado as autoridades do país, “as posições contraditórias dos Estados Unidos sempre geraram turbulências e perturbações” nessas negociações.

"Independentemente da retórica, das ameaças e das afirmações da outra parte, estamos focados em salvaguardar os interesses da nação iraniana”, acrescentou o porta-voz antes de alertar a mídia de que qualquer informação nos próximos dias sobre a possível assinatura dessa declaração de princípios será “completamente falsa” até que Teerã a confirme. “Quando chegarmos à conclusão de que nossos interesses estão a salvo, anunciaremos isso com total transparência”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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