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MADRID 13 jan. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, apontou nesta segunda-feira a possibilidade de evacuar seu pessoal diplomático do Reino Unido em uma conversa telefônica com sua homóloga britânica, Yvette Cooper, dias depois de um manifestante retirar a bandeira da República Islâmica de sua embaixada em Londres, o que provocou o protesto de Teerã, em meio à onda de mobilizações antigovernamentais que há semanas abalam o país centro-asiático. “O Reino Unido tem a obrigação legal internacional de garantir a segurança e a proteção do Consulado e da Embaixada do Irã em Londres. Se o Reino Unido não puder cumprir seu dever de proteger as missões diplomáticas, o Irã não terá outra escolha a não ser considerar a evacuação de nosso pessoal”, afirmou em sua conta na rede social X, referindo-se à ligação com Cooper.
O chefe da diplomacia iraniana também exortou o governo de Keir Starmer a evitar “interferir nos assuntos internos do Irã (...) abstendo-se de tomar medidas contra os terroristas apoiados por Israel que se fazem passar por” meios de comunicação.
Nesse sentido, ele lembrou que o Escritório de Comunicações (Ofcom) do país europeu “tem normas e regulamentos claros sobre o incitamento à violência e a glorificação do terrorismo”, pelo que instou o Executivo britânico a agir para “garantir o cumprimento de suas próprias leis nacionais”.
A ministra das Relações Exteriores britânica, por sua vez, confirmou a ligação com uma breve mensagem em X, na qual condenou novamente o “assassinato e a repressão brutal de manifestantes pacíficos” no Irã.
“Falei com o ministro das Relações Exteriores Araqchi e disse-lhe diretamente: o governo iraniano deve pôr fim imediatamente à violência, defender os direitos e liberdades fundamentais e garantir a segurança dos cidadãos britânicos”, acrescentou.
A ligação entre os dois líderes ocorreu um dia depois de as autoridades iranianas terem convocado o embaixador do Reino Unido em Teerã, Hugo Shorter, para protestar contra a retirada da bandeira da República Islâmica de sua legação diplomática em Londres por um manifestante, embora a bandeira atual tenha sido recolocada na fachada do edifício.
Nesta mesma segunda-feira, o ministério dirigido por Araqchi convocou também os embaixadores da Alemanha, Itália e França, a quem mostrou um vídeo da “violência dos manifestantes” e exigiu a “retirada das declarações oficiais de apoio aos manifestantes”.
Além disso, solicitou aos representantes diplomáticos que transmitissem essas imagens diretamente aos seus respectivos governos e enfatizou que “qualquer apoio político ou midiático é inaceitável e uma clara interferência na segurança interna do Irã”.
A ONG com sede na Noruega Iran Human Rights (IHRNGO) informou nesta segunda-feira que contabilizou um total de 648 manifestantes mortos desde o início dos protestos no Irã, em 27 de dezembro passado. A HRANA, com sede nos Estados Unidos, aponta para 646 mortos, incluindo 133 membros das forças de segurança.
A queda do poder aquisitivo de milhões de cidadãos iranianos — com quedas históricas no valor da moeda nacional, o rial — está na origem dos protestos, que ocorrem em pleno aumento das sanções dos Estados Unidos que, juntamente com Israel, voltaram a apontar para o seu programa nuclear, com bombardeamentos incluídos, como os de junho passado, que mataram cerca de mil pessoas.
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