Jean Marc Ferré/UN Photo/dpa - Arquivo
MADRID, 26 ago. (EUROPA PRESS) -
As autoridades iranianas ressaltaram que o “plano em fases” que concordaram em estabelecer com Omã para a gestão do tráfego pelo Estreito de Ormuz não implica a “abertura imediata” dessa passagem estratégica, uma vez que, segundo precisaram, a reabertura está condicionada ao cumprimento das condições impostas por Teerã.
“Este acordo não implica a abertura imediata do Estreito de Ormuz a partir de amanhã”, explicou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Qaribabadi, segundo declarações divulgadas pela emissora estatal iraniana IRIB, nas quais ele ressaltou que a reabertura está condicionada “ao cumprimento das condições definitivas impostas pelo Irã”. Caso contrário, alertou, essa via navegável “permanecerá fechada”.
Depois de observar que “antes das guerras recentes, não havia problemas no Estreito de Ormuz” e que Teerã “não dava atenção especial” às questões relacionadas à referida passagem que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, o alto funcionário reivindicou o enclave como “uma questão de segurança nacional” para a República Islâmica, o que exige a introdução de mudanças nas rotas de entrada e saída.
A esse respeito, Qaribabadi destacou que a rota de entrada no Golfo Pérsico passará por águas iranianas e a de saída, por águas territoriais de Omã. No entanto, acrescentou ele, “em ambas, os navios atravessarão águas iranianas” como parte dessa espécie de “rodovia de ida e volta com largura total de cerca de sete milhas (cerca de onze quilômetros)”.
No entanto, o vice-ministro esclareceu que essa rota é de caráter “temporário”, na medida em que Teerã e Mascate deverão negociar, em um prazo de 30 a 60 dias, uma nova rota que seja “permanente”.
Além disso, ele garantiu que “a rota sul do Estreito de Ormuz será fechada”, em alusão ao corredor meridional controlado pelos Estados Unidos, conforme declararam ao site Axios dois funcionários norte-americanos que destacaram o transporte de 10 milhões de barris de petróleo por dia. “Trata-se de um acordo. Omã aceita o fechamento dessa rota, e o assunto será comunicado à comunidade internacional”, afirmou Qaribabadi.
Nesse sentido, após alertar que, caso haja futuras negociações com os Estados Unidos, elas “não serão como antes” porque “as circunstâncias mudaram”, o “número dois” da diplomacia iraniana enfatizou que as condições de Teerã para reabrir Ormuz incluem “o levantamento total do bloqueio econômico, o fim definitivo da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a definição da situação do bloqueio ao Iêmen”.
Foi nesta mesma terça-feira que as autoridades de Omã e do Irã chegaram a um acordo para estabelecer um “plano em fases” para gerenciar o tráfego no estreito, embora as conversas para a retomada do tráfego marítimo pelo local ainda não tenham produzido resultados.
“O marco proposto inclui a criação de um corredor marítimo conjunto temporário através do estreito de Ormuz e um acordo para dar início a um projeto conjunto de remoção de minas no estreito”, explicaram ambas após um encontro dos ministros das Relações Exteriores de Omã e do Irã, Badr al Busaidi e Abbas Araqchi, respectivamente, em Teerã.
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