Iranian Foreign Ministry/ZUMA Pr / DPA - Arquivo
MADRID, 17 mar. (EUROPA PRESS) -
O governo iraniano disse nesta segunda-feira que o conteúdo da carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigindo um acordo sobre o programa nuclear iraniano "não está muito distante" de suas declarações públicas, nas quais chegou a ameaçar com uma ação militar se não for aberto um canal diplomático para resolver a disputa.
"O conteúdo da carta não está longe das declarações públicas de Trump", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, que enfatizou que Teerã responderá à carta assim que terminar de inspecioná-la em sua totalidade.
"No momento, não há motivo para publicar essa mensagem", destacou, ao mesmo tempo em que enfatizou que "o que foi publicado na mídia é especulação", ao mesmo tempo em que descartou que a viagem a Omã do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, tenha algo a ver com esse assunto.
Ele também enfatizou que "as negociações diplomáticas têm etiqueta" e acrescentou que isso envolve "aceitar interesses mútuos e olhar para sua contraparte com respeito", de acordo com a agência de notícias iraniana Mehr. "O mais importante é que você acredite que precisa cumprir suas obrigações", disse ele.
"Os EUA se comportaram de forma inadequada em todos esses casos e mostraram que não cumprem suas obrigações e que consideram o diálogo como uma mera ferramenta política e um meio de pressão", argumentou, referindo-se à decisão de Washington de se retirar unilateralmente em 2018 do acordo nuclear histórico assinado três anos antes.
Autoridades iranianas confirmaram recentemente ter recebido a missiva enviada por Trump ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que disse na semana passada que retornar às negociações com os Estados Unidos "só levará a sanções mais severas" e lembrou que o próprio Trump retirou Washington do acordo firmado entre as partes, apoiado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.
Trump retirou unilateralmente os Estados Unidos em 2018 do histórico acordo nuclear de 2015 e impôs uma bateria de sanções contra Teerã que levou o país a reduzir seus compromissos com o pacto até o retorno de Washington ao cumprimento de suas cláusulas. Desde seu retorno à Casa Branca, ele reativou um amplo conjunto de sanções, algo criticado pelo governo iraniano.
REUNIÃO COM GROSSI
Baqaei confirmou que o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Garibabadi, se reunirá com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, em Viena na segunda-feira, após sua viagem a Pequim para uma cúpula trilateral com a Rússia e a China.
"A reunião de Garibabadi com o diretor-geral da AIEA é uma continuação da nossa interação e cooperação com a agência", disse ele, observando que "é natural aumentar as consultas, tendo em vista o aumento das ameaças contra o programa nuclear e as instalações nucleares (do Irã) nos últimos dias".
Ele disse que Teerã busca "alertar a AIEA sobre as consequências dessas ameaças" e ressaltou que "o Irã reiterou que a posição política da AIEA e de seu diretor-geral não tem efeito positivo ou construtivo sobre as relações entre o Irã e a agência".
O próprio Baqaei pediu a Grossi, no início de março, que "aja de acordo com suas funções" e não faça afirmações "infundadas", depois que ele apontou que Teerã aumentou seu estoque de urânio em mais de 50% desde a chegada de Trump à Casa Branca.
Grossi expressou sua "grave preocupação" com o aumento "significativo" na produção e no acúmulo de urânio enriquecido a 60%, tendo em vista que o Irã é o único país sem armas nucleares que usa esse tipo de material, que em altos níveis de pureza pode ser usado para fins militares.
As autoridades iranianas sempre negaram que sua indústria seja para fins militares, enquanto Trump e outros atores internacionais, como Israel, afirmam que o Irã, em última instância, almeja ter armas nucleares. As partes também ainda não estão se aproximando para tentar reviver o fracassado acordo de 2015, do qual Trump se desvinculou em seu primeiro mandato.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático