-/Iranian Presidency/dpa - Arquivo
MADRID, 24 jun. (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Irã classificaram nesta quarta-feira o acordo preliminar firmado com os Estados Unidos para a cessação das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz como uma “declaração de derrota” de Washington em sua ofensiva contra o país asiático.
Em uma mensagem divulgada pela emissora de televisão IRIB, o presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, ressaltou que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel “não foi simplesmente um sonho militar”, mas visava “alterar o equilíbrio estratégico da região e impor sua vontade a uma nação livre”.
“Os planejadores dessa agressão acreditavam que poderiam forçar a nação iraniana a recuar por meio de pressão militar, cerco e atos terroristas, e reescrever as equações regionais a seu favor, mas o que aconteceu foi completamente contrário aos cálculos dos agressores”, afirmou.
O presidente do Parlamento, que atua como negociador-chefe do Irã, insistiu que o acordo preliminar assinado com as autoridades americanas é a “declaração de derrota” dos Estados Unidos em seu ataque ao Irã.
Assim, ele enfatizou que “a paz duradoura não é fruto da submissão, da pressão e da humilhação”, mas sim o resultado da “autoridade, dignidade e respeito”, ressaltando que a diplomacia deve basear-se no “respeito, na igualdade e no reconhecimento entre os países”; por isso, enquadrou o acordo com os Estados Unidos no “espírito de resistência e na fortaleza do corajoso povo iraniano”.
“Isso demonstrou que o diálogo dá resultados quando a outra parte renuncia a impor sua vontade sobre uma nação civilizada e aceita nossos direitos. O memorando de entendimento de Islamabad tornou-se uma declaração da derrota dos Estados Unidos”, resumiu ele sobre o pacto alcançado com a mediação do Paquistão.
FUTURO DA REGIÃO
Com relação às implicações regionais da situação no Irã, Qalibaf destacou que, a partir de agora, a segurança regional deve ser garantida pelos próprios atores da região. “Nenhum país da região encontrará sua segurança na insegurança dos demais. A economia e o desenvolvimento da região devem beneficiar todas as nações que a compõem”, enfatizou.
Dessa forma, ele apelou à cooperação com os países vizinhos, ressaltando que o Irã concebe o futuro da região “não no confronto, mas na interação”. “Não na segurança importada, mas na segurança autóctone e comum”, disse ele, antes de ressaltar a necessidade da retirada das forças estrangeiras da região.
O presidente da Assembleia Consultiva Islâmica destacou o apoio a “qualquer iniciativa prática para a criação de mecanismos conjuntos de segurança coletiva, econômicos e comerciais” na região e ressaltou que Teerã “não abandonou seus amigos e parceiros estratégicos” durante a crise—
Assim, ele citou como exemplo o apoio ao Líbano, ressaltando que, para Teerã, o cessar-fogo naquele país “é tão importante quanto um cessar-fogo no Irã”.
O memorando assinado entre os Estados Unidos e o Irã prevê uma trégua de 60 dias, que será o prazo para negociar um acordo final que inclua a questão nuclear iraniana, acompanhada pela reabertura, sem pedágios, do Estreito de Ormuz e pela criação de um fundo de reconstrução dotado de 300.000 milhões de dólares (cerca de 260.000 milhões de euros).
Nesse período, Washington e Teerã se comprometem “a não iniciar nenhuma guerra nem operação militar entre si, a abster-se de ameaças ou do uso mútuo da força e a garantir a integridade territorial e a soberania do Líbano”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático