PORTAVOCÍA DE EXTERIORES DE IRÁN EN X
MADRID, 18 jun. (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Irã descartaram nesta quinta-feira a cerimônia inicialmente prevista na Suíça para a assinatura oficial do memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos para pôr fim ao conflito no Oriente Médio e indicaram que haverá, sim, um encontro entre as respectivas equipes de negociação na cidade suíça de Genebra para a implementação do acordo.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, indicou em um comunicado que isso é apenas “o começo” do trabalho a ser realizado para alcançar a paz e afirmou que, agora que o texto foi assinado digitalmente pelas partes, “violá-lo seria mais oneroso”.
“Neste momento, o plano das equipes de negociação de se reunirem em Genebra segue em frente, mas a assinatura do memorando será digital e não haverá cerimônia propriamente dita na Suíça”, esclareceu horas depois que o Paquistão, país que facilitou as negociações, confirmou que o texto foi oficialmente assinado pelas partes, incluindo Islamabad, e, portanto, entrará em vigor “imediatamente”.
Baqaei, que lembrou que “apenas o Irã e Omã são considerados Estados costeiros do Estreito de Ormuz”, também considerou o documento assinado e destacou que “nada ficou de fora desta vez”. “Para nós, o cessar-fogo e o fim da guerra no Líbano eram questões igualmente importantes; por isso, no primeiro parágrafo do memorando de entendimento, há três menções ao Líbano”, observou.
“Nosso trabalho agora é mais difícil do que antes, porque implementar acordos internacionais é sempre muito mais difícil do que fazê-los fracassar, especialmente quando se trata de partes que não cumprem seus compromissos. O aparato diplomático, respaldado pelo apoio do povo e pela confiança em Deus, visa o bem-estar do nosso país”, esclareceu.
Assim, ele explicou que o texto visa principalmente pôr fim à guerra e “não negociar a questão nuclear nesta fase”. “Devemos negociar isso e o levantamento das sanções nos 60 dias seguintes à data de implementação do memorando, que é agora. Seria melhor que as negociações fossem concluídas o mais rápido possível, mas, dada a complexidade do assunto, o prazo de 60 dias é razoável e, se necessário, poderia ser prorrogado”, declarou.
GESTÃO DO ESTREITO DE ORMUZ
O porta-voz iraniano indicou que Teerã “receberá uma compensação pelos serviços prestados no Estreito de Ormuz”, conforme já vinha sendo antecipado pela República Islâmica, e explicou que esse mecanismo e os acordos para a gestão do estreito “já estão sendo desenvolvidos”. “Iniciamos consultas com Omã e também estamos dialogando com outros países”, afirmou.
“Os mecanismos de gestão estão praticamente acertados com Omã, e a segurança do tráfego marítimo será garantida, mantendo a soberania da República Islâmica do Irã sobre o Estreito de Ormuz. O Irã e Omã são os únicos dois Estados ribeirinhos do Estreito de Ormuz”, enfatizou.
Por isso, sustentou, “nenhuma oportunidade será desperdiçada para documentar, investigar e esclarecer os crimes cometidos contra a nação iraniana. “Supervisionamos o cumprimento das obrigações da outra parte sem concessões. Só cumpriremos nossos compromissos se a outra parte cumprir os dela”, acrescentou.
MATERIAL NUCLEAR NÃO SAIRÁ DO IRÃ
“Desde o início, afirmamos que o material nuclear enriquecido não será transferido para fora do Irã. A diluição de materiais enriquecidos não é uma opção nova. Agora ela foi introduzida como uma opção para bloquear outras alternativas, mas transferir material nuclear enriquecido para o exterior é uma opção inaceitável para nós”, esclareceu.
Além disso, ele esclareceu que o texto do memorando de entendimento foi assinado em dois idiomas: “Isso representa a máxima transparência nas informações que fornecemos”. “Se o texto estivesse apenas em inglês, poderíamos acabar com traduções imprecisas”, lamentou, antes de exigir o levantamento definitivo do embargo ao petróleo iraniano.
“O Irã deve poder vender seu petróleo, não ter problemas com transporte nem com seguros e, além disso, deve receber a receita das vendas. O levantamento do embargo ao petróleo iraniano começa hoje e continuará durante as negociações”, afirmou Baqaei, que esclareceu que não se negociou apenas isso, mas, “simultaneamente, a liberação dos ativos congelados do Irã, a reparação dos danos e o levantamento das sanções”.
“Devemos poder utilizar nossos ativos congelados quando quisermos e usá-los para qualquer compra. Nas últimas duas ou três semanas, foram realizadas negociações exaustivas sobre esse tema. Os Estados Unidos estão comprometidos em eliminar todos os obstáculos. Temos experiências negativas com o descumprimento das promessas dos Estados Unidos nos últimos anos no que diz respeito à liberação de bens pertencentes à nação iraniana”, alertou.
POSIÇÃO ISRAELENSE
Nesse sentido, ele observou que “se os ataques do regime sionista contra o Líbano continuarem, constituirão uma violação das obrigações da outra parte no memorando de entendimento”. “Não separamos os Estados Unidos do regime sionista, mas suas diferenças em métodos e abordagens são claramente evidentes”, afirmou.
“O regime sionista não quer dar a menor chance a nenhum processo diplomático. No entanto, cabe aos Estados Unidos obrigar o regime sionista a respeitar os compromissos assumidos com o Irã neste documento”, destacou, ao mesmo tempo em que acrescentou que “o Irã derrotou duas potências nucleares que contavam com o apoio de outros países”, o que transforma o país em uma “superpotência”.
O Paquistão anunciou no domingo um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para a cessação das hostilidades no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Ormuz, embora o conteúdo do acordo ainda não tenha sido divulgado oficialmente, e as partes apresentam versões diferentes sobre as obrigações econômicas decorrentes do pacto ou se, afinal, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz será administrado por um mecanismo acordado entre o Irã e Omã.
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