Publicado 02/03/2026 08:21

O Irã denuncia um ataque contra suas instalações nucleares em Natanz no âmbito da ofensiva dos EUA e de Israel.

Archivo - Arquivo - Bandeira do Irã na capital, Teerã (arquivo)
Europa Press/Contacto/Rouzbeh Fouladi - Arquivo

Teerã ironiza que os ataques foram iniciados por Trump, que “reivindica que lhe seja entregue o Prêmio Nobel da Paz” MADRID 2 mar. (EUROPA PRESS) -

As autoridades do Irã denunciaram nesta segunda-feira que as instalações nucleares em Natanz foram atacadas no âmbito da ofensiva conjunta lançada de surpresa no sábado pelos Estados Unidos e Israel, antes de acusar Washington de usar as negociações em andamento como “um engodo” para preparar seus ataques contra o país asiático.

O representante iraniano junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Reza Nayafi, afirmou que os Estados Unidos e Israel “atacaram ontem (domingo) as instalações nucleares pacíficas e protegidas do Irã”, após o que especificou, diante das perguntas da imprensa, que se referia às de Natanz.

“Todos esses ataques são ilegais, criminosos e brutais”, disse Nayafi, lembrando que esses bombardeios mataram o líder supremo do país, o aiatolá Alí Jamenei, e deixaram mais de 160 estudantes mortas em uma escola no sul do país. “Essa é a saúde e a liberdade que o presidente americano (Donald Trump) prometeu aos iranianos”, ironizou. Assim, reiterou que “a justificativa (usada pelos Estados Unidos e Israel) de que o Irã quer desenvolver armas nucleares é uma grande mentira”. “O líder supremo, que se tornou mártir, era o único estudioso muçulmano que proibiu completamente o desenvolvimento de armas nucleares”, lembrou, em referência a uma “fatwa” ou decreto religioso emitido por Khamenei ilegalizando essas práticas.

Nayafi argumentou que os Estados Unidos “historicamente usam o engano e a desinformação para invadir países”, antes de sublinhar que “esta guerra foi lançada pelo presidente americano, que tenta apresentar-se como um homem de paz que reclama que lhe seja entregue o Prémio Nobel da Paz”. “Mesmo quando falam de paz, é mentira. Se pedem diplomacia, é um engano. Para eles, a diplomacia é uma ferramenta para enganar os outros. É a segunda vez que invadem o nosso país durante as negociações”, afirmou, referindo-se ao fato de que a ofensiva foi lançada em meio a contatos indiretos para um novo acordo nuclear, assim como aconteceu com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos em junho de 2025.

Nesse sentido, ele ressaltou que nesta segunda-feira estavam previstos contatos em nível técnico na capital da Áustria, Viena, com o objetivo de abrir caminho para um novo acordo nuclear, ao mesmo tempo em que solicitou à AIEA que “condenasse categoricamente” os ataques contra as instalações nucleares iranianas, que contam com “salvaguardas” internacionais.

As palavras de Nayafi foram proferidas num dia em que o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, descartou qualquer indício de “ataques ou danos” a instalações nucleares no Irã, ao mesmo tempo que pediu às partes “extrema contenção” para evitar um aumento da violência.

Durante uma intervenção no início da reunião extraordinária convocada pelo organismo em Viena, Grossi salientou que instalações como a central nuclear de Bushehr, situada no sul, e o Reator de Investigação de Teerã não foram afetadas, pelo menos por enquanto. No entanto, ele não se pronunciou diretamente sobre o caso das instalações em Natanz. Grossi também pediu a retomada do diálogo e enfatizou que a situação atual é “muito preocupante”, ao mesmo tempo em que afirmou que “não se pode descartar possíveis vazamentos radiológicos com graves consequências, o que poderia levar à evacuação de grandes áreas populacionais em muitas cidades”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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