Europa Press/Contacto/Saqib Majeed
Araqchi fala de “violação sem precedentes das normas mais fundamentais” e exige à ONU “medidas imediatas” contra os responsáveis MADRID 2 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, denunciou nesta segunda-feira, em uma carta enviada às Nações Unidas, que o assassinato do líder supremo do país, o aiatolá Alí Jamenei, na campanha de bombardeios de Israel e dos Estados Unidos, constitui “um ato covarde de terrorismo” que “abre uma perigosa caixa de Pandora” no centro do sistema internacional.
“O ataque deliberado contra o mais importante funcionário da República Islâmica do Irã constitui uma violação sem precedentes das normas mais fundamentais que regem as relações entre os Estados”, afirmou. “Essa conduta não apenas viola os princípios estabelecidos do Direito Internacional, mas abre imprudentemente uma perigosa caixa de Pandora, corroendo os alicerces da igualdade soberana e da estabilidade do sistema internacional”, explicou. Araqchi denunciou na carta, enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as ações “horríveis e criminosas” dos Estados Unidos e de Israel e disse que “uma falha em responder de forma decisiva a esse comportamento não só reforçará os responsáveis, mas causará danos duradouros e irreparáveis aos pilares da ordem jurídica internacional durante as próximas décadas”.
Assim, denunciou a morte de Jamenei “no contexto de uma nova onda de agressões não provocadas e injustificadas contra a soberania e a integridade territorial do Irã”, contexto em que “os Estados Unidos e o regime israelense atacaram deliberadamente o chefe de Estado de um país membro das Nações Unidas”.
“Este ato covarde de terrorismo constitui um ataque direto aos princípios fundamentais do Direito Internacional, incluindo a proibição do uso da força, o respeito à igualdade soberana e a inviolabilidade e imunidade dos chefes de Estado”, destacou em sua carta, publicada através de suas redes sociais.
Nesse sentido, ele ressaltou que isso representa também “uma escalada perigosa e sem precedentes que viola as normas mais fundamentais da condição de Estado e da conduta civilizada entre as nações”. “Os chefes de Estado encarnam a soberania de suas nações e, de acordo com o Direito Internacional, gozam de inviolabilidade, respeito e imunidade indispensáveis para o exercício independente de suas funções oficiais”, destacou.
O chefe da diplomacia iraniana ressaltou ainda que Jamenei “era também uma figura religiosa muito respeitada por dezenas de milhões de muçulmanos na região e no mundo”. “Um ataque como esse tem consequências profundas e de longo alcance, cuja responsabilidade recai exclusivamente sobre os responsáveis”, destacou Araqchi.
Por isso, insistiu no “direito inerente e inequívoco do Irã de defender sua soberania, integridade territorial e população”, antes de insistir que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, têm "responsabilidade criminal" pelo assassinato de Jamenei, o que se soma aos "crimes de guerra e contra a humanidade" perpetrados na ofensiva contra o Irã. Araqchi alertou que "a normalização das graves violações do Direito Internacional ameaça a integridade do sistema internacional", pelo que exigiu a Guterres e ao Conselho de Segurança da ONU que “cumpram suas responsabilidades” sobre “a manutenção da paz e da segurança internacionais”, incluindo “medidas imediatas, concretas e eficazes para garantir a plena responsabilização” dos Estados Unidos e de Israel pelo “ato terrorista atroz” perpetrado contra Jamenei.
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