Europa Press/Contacto/Iranian Presidency
MADRID 1 set. (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Irã criticaram nesta terça-feira a União Europeia por apoiar a pressão dos Estados Unidos e alertaram que ela está “errada” ao alinhar-se com Washington e que “se afasta de todos os valores que afirma defender”.
“Se a Europa acredita que, ao investir capital na questão do Irã, pode conquistar respeito e consolidar sua posição perante os Estados Unidos, está muito enganada”, advertiu o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, que, em coletiva de imprensa em Teerã, enfatizou que “a complacência e a submissão” a Washington apenas aumentam “sua influência”.
Dessa forma, ele destacou que a declaração de que manterá a pressão contra a República Islâmica consolida o “desvio de todos os valores que diz defender”. “Eles até deixaram de lado o chamado Estatuto de Bloqueio na regulamentação adotada pela União Europeia”, criticou.
O porta-voz iraniano alertou que o cumprimento das sanções norte-americanas viola o Direito Internacional e constitui um ato “internacionalmente ilícito”, pelo que a UE estará cometendo uma “clara violação de sua própria legislação”.
“À custa de renunciar à sua independência e à soberania dos Estados-membros, à custa de violar o Estado de Direito, a UE se submeteu aos Estados Unidos”, afirmou Baqaei, ressaltando que o bloco apenas conseguirá “manchar ainda mais sua própria reputação”.
Da mesma forma, ele insistiu para que a UE “reflexione” sobre experiências passadas, após apontar que sua “adesão” aos Estados Unidos lhe custou a possibilidade de desempenhar um papel nas negociações, depois de ter atuado como mediador nas conversas nucleares que resultaram em um acordo em 2015.
“Para conquistar o respeito, é fundamental não desrespeitar os outros. Os europeus deveriam aceitar isso de nós, que há décadas lutamos contra os excessos e a arrogância dos Estados Unidos”, afirmou.
A UE reiterou nesta segunda-feira que continuará trabalhando “em estreita colaboração” com os Estados Unidos e com outros parceiros do G7 e internacionais para “manter a pressão sobre” o Irã para uma redução da tensão, além de ter reivindicado “esforços diplomáticos” para que se chegue a um acordo de paz e se garanta a liberdade de navegação pelo estreito de Ormuz.
Foi o que destacou o bloco comunitário em uma declaração emitida no contexto da reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20, que ocorre nos dias 31 de agosto e 1º de setembro na cidade norte-americana de Asheville.
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