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MADRI, 22 jul. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã denunciou nesta quarta-feira “os ataques e ameaças” dos Estados Unidos contra instalações nucleares do país e criticou a “obsessão” de Washington com o monte Kolang —também conhecido como Pickaxe—, onde, segundo Teerã, “não há atividades nucleares”, apesar das suspeitas expressas pelos Estados Unidos e por Israel.
“A obsessão de Washington com o monte Kolang, onde não é realizada nenhuma atividade nuclear, não passa de um pretexto inventado para a agressão, a destruição e a sabotagem”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, em uma mensagem publicada nas redes sociais.
“O Irã declarou integralmente suas atividades nucleares à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em cumprimento às suas obrigações em matéria de salvaguardas”, disse ele, antes de questionar “onde está” o diretor da agência, Rafael Grossi, para enfrentar as ações dos Estados Unidos.
Assim, ele insistiu que “os repetidos ataques e ameaças dos Estados Unidos contra as instalações nucleares pacíficas do Irã não são apenas uma violação flagrante dos princípios essenciais da Carta das Nações Unidas, do Direito Internacional e das resoluções do Conselho de Governadores da AIEA (...), mas revelam a profunda hostilidade dos Estados Unidos em relação ao progresso científico e ao desenvolvimento tecnológico do Irã”.
O porta-voz da diplomacia iraniana garantiu que, apesar de tudo, “o povo iraniano permanece firme e unido, disposto a enfrentar com toda a sua força qualquer ato de hostilidade dos Estados Unidos ou violação da soberania e da segurança nacional de seu país”.
As palavras de Baqaei foram proferidas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter adiantado que “é muito provável” que as forças americanas ataquem o Monte Pickaxe “muito em breve”. “Não há nada que possam fazer a respeito”, disse ele durante um encontro na Casa Branca com o presidente do Líbano, Joseph Aoun.
O ocupante da Casa Branca destacou que o Irã “poderia” ter transferido centrífugas nucleares para o local, embora tenha afirmado que “isso não é algo comprovado” e acrescentado que, caso seja verdade, “também não significa nada, a menos que eles tenham o material nuclear”, algo que ele acredita que Teerã não possua nessa montanha.
De acordo com informações publicadas na segunda-feira pelo jornal norte-americano “The Wall Street Journal”, as autoridades de Israel teriam entregue a Washington informações de inteligência que indicariam que o Irã transferiu para essa montanha milhares de centrífugas diante da ofensiva dos dois países, lançada em 28 de fevereiro.
A montanha fica no centro do país, a um quilômetro das instalações nucleares de Natanz — já bombardeadas anteriormente por Israel e pelos Estados Unidos. As instalações subterrâneas foram declaradas em 2020 pelo Irã à AIEA, à qual informaram que seriam utilizadas para montar centrífugas.
Os Estados Unidos vêm lançando ataques contra o Irã há vários dias, alegando violações do memorando de entendimento assinado em junho, algo rejeitado por Teerã, que denunciou violações do cessar-fogo acordado em abril e respondeu com ataques contra interesses norte-americanos na região do Oriente Médio, o que gerou temores de um colapso nas negociações para um acordo de paz.
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