MADRID 14 jul. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã condenou nesta terça-feira a decisão do Reino Unido de declarar a Guarda Revolucionária como uma ameaça à sua segurança, proibindo assim o apoio à organização — uma medida que classificou como “injustificada” e “irresponsável”, em meio ao aumento das tensões bilaterais nos últimos anos.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou, em comunicado divulgado nas redes sociais, que essa “ação hostil” por parte de Londres “contraria os princípios e normas fundamentais do Direito Internacional, incluindo o princípio da igualdade soberana e o da não interferência nos assuntos internos dos países”.
“A poderosa Guarda Revolucionária é parte indissociável das Forças Armadas do Irã”, afirmou, antes de ressaltar que esse órgão “é responsável por defender a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança do Irã” e relembrar seu papel na luta contra “o terrorismo do Estado Islâmico”.
Assim, o ministério enfatizou que “a decisão do governo britânico de rotular uma instituição oficial de um Estado independente é uma medida desprezível e provocativa que viola o Direito Internacional e a Carta da ONU”, antes de aprofundar que a medida “demonstra a malícia” de Londres, “especialmente em um momento em que o Oriente Médio se encontra em uma situação crítica e tensa como resultado da rebelião dos Estados Unidos e do regime sionista assassino de crianças”.
“O Reino Unido, que possui um longo histórico de ingerência nos assuntos internos de países e de políticas coloniais em todas as partes do mundo, especialmente na região do Oriente Médio, e que, durante a recente agressão militar dos Estados Unidos e dos sionistas contra o Irã, atuou como cúmplice e facilitador dos agressores — conforme admitiu o secretário-geral da OTAN —, não tem autoridade moral para acusar os outros”, ressaltou.
Nesse sentido, ele criticou o fato de Londres tomar essa medida “com base em alegações infundadas sobre segurança” enquanto “acolhe e apoia redes e grupos terroristas e violentos”, antes de adiantar que se reserva o direito de adotar medidas em resposta à decisão do Reino Unido. “A responsabilidade pelas consequências políticas, jurídicas e diplomáticas destrutivas dessa decisão anti-iraniana recai sobre as autoridades britânicas”, concluiu.
O governo britânico propôs, na segunda-feira, incluir a Guarda Revolucionária do Irã em uma lista de grupos que poderá perseguir com novos poderes, uma vez que serão equiparados a serviços de inteligência estrangeiros no âmbito da Lei de Segurança Nacional, em uma iniciativa para responder às atividades de grupos apoiados por Estados estrangeiros, em meio ao que considera uma onda de ataques por parte de grupos apoiados pelo Irã ou pela Rússia.
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