Europa Press/Contacto/Foad Ashtari
MADRID, 19 abr. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã atacou a União Europeia na sequência das declarações da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, sobre a situação no Estreito de Ormuz, em uma nova troca de acusações em torno da legalidade internacional e da segurança marítima na passagem estratégica que se tornou o epicentro do conflito.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, acusou Bruxelas de aplicar dois pesos e duas medidas e criticou a posição europeia em relação ao conflito regional. “Ah, essa ‘lei internacional’?! Aquela que a UE tira da gaveta empoeirada para dar sermões aos outros enquanto, em voz baixa, dá luz verde a uma guerra de agressão dos EUA e de Israel e faz vista grossa às atrocidades contra os iranianos?!”, retrucou.
Na mesma linha, Baqaei instou a UE a evitar o que considera discursos moralizantes: “Poupem-nos dos sermões; o fracasso crônico da Europa em praticar o que prega transformou seu discurso sobre o ‘direito internacional’ no cúmulo da hipocrisia”, acrescentou.
O porta-voz iraniano defendeu ainda a capacidade de Teerã de agir nesse importante corredor marítimo, fundamental para o trânsito energético global. Nesse sentido, argumentou que “nenhuma norma” do Direito internacional proíbe Teerã de “tomar as medidas necessárias para impedir que o Estreito de Ormuz seja utilizado para lançar agressões militares contra o Irã”.
Da mesma forma, questionou o princípio do livre trânsito na zona no atual contexto de tensão militar, questionando onde fica o “trânsito inofensivo incondicional” em Ormuz. “Essa ficção partiu no momento em que a agressão dos EUA e de Israel trouxe ativos militares americanos para o quintal do estreito”, reforçou.
As declarações de Teerã respondem a uma mensagem anterior de Kallas, na qual ela sublinhava que, “segundo o direito internacional, o trânsito por vias marítimas como o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e isento de taxas”, em consonância com o apelo de líderes internacionais para sua reabertura.
A chefe da diplomacia europeia alertou ainda que “qualquer esquema de pagamento por passagem estabelecerá um precedente perigoso para as rotas marítimas globais” e instou o Irã a desistir de qualquer iniciativa nesse sentido.
Por fim, Kallas também assinalou que a UE está disposta a contribuir para garantir a segurança na região, destacando que “a Europa desempenhará o seu papel na restauração do livre fluxo de energia e comércio, assim que se consolide um cessar-fogo”, e apontou para a possibilidade de reforçar a missão naval europeia Aspides no Mar Vermelho para proteger o tráfego marítimo.
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