Publicado 01/04/2026 01:25

O Irã confirma ter mantido contatos com Witkoff, mas ressalta que seu nível de confiança nos EUA “é nulo”

Archivo - Arquivo - 7 de fevereiro de 2026, Doha, Catar: O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, profere um discurso durante a abertura do 17º Fórum Al Jazeera.
Europa Press/Contacto/Yousef Masoud - Arquivo

MADRID 1 abr. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, confirmou ter mantido contatos com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, embora tenha esclarecido que tais mensagens não constituem uma “negociação” com um país no qual, segundo ele, Teerã não tem “nenhuma confiança”.

“O senhor Witkoff enviou mensagens diretamente, mas isso não significa que haja uma negociação”, observou o ministro iraniano em entrevista à emissora pan-árabe Al Jazeera, na qual acrescentou que esse tipo de intercâmbio ocorreu “tanto em tempos de paz quanto de guerra”.

Salientando que a República Islâmica “nunca” teve uma “boa experiência” nas negociações com Washington, Araqchi afirmou que seu país não tem “nenhuma confiança” de que as negociações com a Casa Branca “vão dar resultados”, declarando em seguida que “o nível de confiança (do Irã nos Estados Unidos) é nulo”.

“Quando propõem negociações, a primeira coisa que nos importa avaliar é a honestidade deles no processo. Não vemos honestidade. Essa confiança não existe. E para que se gere confiança, é necessário dar passos importantes para que possamos chegar a uma situação em que pelo menos uma negociação possa ocorrer”, refletiu o responsável pela pasta das Relações Exteriores.

Da mesma forma, após afirmar ter recebido “mensagens diretas” dos Estados Unidos e por meio de “aliados regionais”, Araqchi voltou a negar negociações a esse respeito, ao mesmo tempo em que lembrou que o governo iraniano não respondeu à proposta de 15 pontos enviada por Washington ao Irã para chegar a um acordo que ponha fim à guerra.

UM USO “ESTRATÉGICO” DE ORMUZ

Durante sua entrevista na televisão, o responsável iraniano foi enfático ao afirmar que o estreito de Ormuz, ponto estratégico que concentra cerca de um quarto do comércio marítimo mundial de petróleo e que permanece bloqueado por Teerã em retaliação à ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, “está em águas territoriais do Irã e de Omã”.

“Não está em águas internacionais”, reiterou ele, considerando “normal” que Teerã e Mascate façam uso dessas vias navegáveis de maneira “estratégica”, sendo um exemplo disso a atitude adotada pelo Irã de permitir a passagem apenas a navios considerados “amigos”.

“Não podemos permitir que nossos inimigos utilizem nossas águas territoriais para o comércio”, concluiu, acrescentando que, enquanto alguns navios “ligados a outros países”, “por motivos de segurança, pelos altos preços dos seguros ou por qualquer outra razão, decidiram não utilizar o estreito”, outros negociaram com Teerã, conseguindo, especialmente no caso daqueles considerados afins ao Irã, a garantia de uma “passagem segura”.

No entanto, Araqchi defendeu que, da perspectiva da República Islâmica, o estreito de Ormuz é visto como “uma via navegável pacífica para o uso pacífico de navios de países de todo o mundo”.

Nesta mesma terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, com uma mudança marcante de tom e postura, referiu-se ao tráfego marítimo neste estreito — um dos pontos mais críticos do conflito — e aos elevados preços do petróleo decorrentes de seu bloqueio, para afirmar que, se a passagem não for reaberta, isso deve ser problema de outros países.

“O que acontecer no estreito não terá nada a ver conosco”, refletiu o inquilino da Casa Branca, garantindo que “não há motivo” para que os Estados Unidos continuem buscando o desbloqueio de Ormuz e reiterando que “em duas ou três semanas” as forças americanas deixarão a zona.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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