Europa Press/Contacto/Foad Ashtari
Teerã insiste que, por enquanto, seu programa nuclear não está em discussão e que o acordo incluirá “uma cessação das hostilidades em todas as frentes”
MADRID, 25 maio (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã confirmou nesta segunda-feira que houve avanços nas negociações com os Estados Unidos para tentar chegar a um acordo de paz, embora tenha ressaltado que “ninguém pode dizer que a assinatura seja iminente” e tenha insistido que “nesta fase não está sendo discutido” o programa nuclear de Teerã.
“É verdade que chegamos a uma conclusão sobre grande parte das questões em discussão, mas ninguém pode dizer que a assinatura seja iminente”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, que declarou que os avanços “são o resultado de várias semanas de negociações por meio da mediação do Paquistão”.
Assim, ele destacou que os Estados Unidos demonstraram “algum tipo de dúvida” nas últimas horas e observou que “enfrentar pontos de vista contraditórios dificulta qualquer processo”, ao mesmo tempo em que enfatizou que “uma cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, será um elemento de qualquer acordo”. Além disso, descartou que, por enquanto, haja planos para uma viagem de uma delegação iraniana ao Paquistão.
“O foco das negociações é pôr fim à guerra e, nesta fase, não estamos discutindo detalhes sobre o programa nuclear”, afirmou, ao mesmo tempo em que se recusou a comentar as publicações nas redes sociais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo uma em que o Irã aparece em um mapa com a bandeira americana.
“Ameaças e caricaturas fazem parte da política do outro lado do mundo”, precisou Baqaei, que ressaltou que Teerã “tem coisas muito mais importantes a fazer” do que responder a Trump. “Se tivermos que responder aos tuítes e fotos da outra parte, não conseguiremos realizar as coisas importantes. Estamos focados em avançar e preparar planos para proteger os interesses nacionais”, explicou.
Nesse sentido, ele ressaltou que Teerã “não está preocupada com as garantias” sobre o acordo. “Um país que foi capaz de se defender contra duas potências nucleares durante 40 dias e fazer com que o inimigo se arrependesse pode continuar demonstrando sua força”, defendeu, conforme divulgado pela emissora pública iraniana, IRIB.
Baqaei destacou ainda que a gestão do tráfego marítimo no estreito de Ormuz é algo que afeta “os países costeiros” e defendeu “um mecanismo que garanta a liberdade de passagem e atenda aos interesses da comunidade internacional”. “O estreito de Ormuz estava aberto antes da agressão contra o Irã e a situação atual é causada por essa agressão”, reiterou.
Dessa forma, ele enfatizou que o Irã “não busca cobrar pedágios” pela passagem por essa via estratégica. “As ações do Irã e de Omã para desenvolver um protocolo para a passagem segura de navios são um passo responsável”, disse ele, antes de criticar que os Estados Unidos “fizeram mau uso do estreito para uma agressão militar contra o Irã”.
“As medidas tomadas pelo Irã no Estreito de Ormuz visam proteger a segurança de dois países costeiros e se inscrevem no contexto da insegurança imposta pelos Estados Unidos e pelos países que possam querer repetir essa agressão”, argumentou Baqaei, que também criticou a União Europeia (UE) por sua postura em relação à situação no Oriente Médio.
“Se a UE tivesse adotado uma postura responsável, talvez muitos dos problemas que a comunidade internacional enfrenta agora não tivessem ocorrido. No que diz respeito a Ormuz, se a UE estivesse comprometida com a aplicação da lei e da Carta das Nações Unidas, talvez a situação atual não tivesse surgido, caso tivesse condenado os Estados Unidos e o regime sionista”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático