Publicado 01/08/2026 23:33

O Irã ameaça ampliar o bloqueio de rotas marítimas estratégicas caso os EUA mantenham sua pressão naval

Archivo - Arquivo - 2 de julho de 2026, Lyon, Lyon, França: Nesta ilustração fotográfica, o presidente dos EUA, Donald Trump, é visto atrás da bandeira do Irã, com ambas exibidas em telas, em Lyon, França, em 2 de julho de 2026.
Europa Press/Contacto/Hasan Mrad - Arquivo

MADRID 2 ago. (EUROPA PRESS) -

As autoridades iranianas alertaram neste sábado que poderiam estender as restrições a outras rotas marítimas estratégicas caso os Estados Unidos mantenham o bloqueio naval contra o país, em uma nova mensagem de pressão em meio à escalada da tensão regional.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, afirmou em declarações divulgadas pela mídia iraniana que Teerã está disposta a endurecer as medidas adotadas no Estreito de Ormuz e alertou que a estratégia poderia se estender a outros pontos-chave para o comércio marítimo internacional.

Conforme citado pela agência oficial de notícias iraniana IRNA, o dirigente afirmou que a continuidade do bloqueio marítimo promovido por Washington e a “beligerância do regime norte-americano” farão com que o Irã “endureça” o fechamento do Estreito de Ormuz e também de “outros estreitos e pontos estratégicos”. Além disso, ele alertou que “a economia mundial, os mercados de energia e os eleitores norte-americanos arcarão com as consequências”.

O Estreito de Ormuz permanece fechado desde que o Irã tomou essa decisão, poucas horas após o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel, no último dia 28 de fevereiro. Mais de cinco meses depois, a passagem continua bloqueada, afetando uma das principais rotas energéticas do planeta, pela qual anteriormente circulavam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente, com o consequente impacto sobre o abastecimento e os preços internacionais.

IRÃ BUSCA REFORÇAR SUAS CAPACIDADES MILITARES

Por outro lado, o ministro interino da Defesa do Irã, Majid Ebn al Reza, defendeu a necessidade de reforçar as capacidades militares do país e instou a evitar qualquer situação de excesso de confiança, apesar dos recentes acontecimentos.

Durante uma intervenção diante de cientistas ligados à indústria de defesa, também divulgada pela IRNA, o responsável iraniano afirmou que, embora Washington não tenha alcançado seus objetivos militares, tal circunstância não deve se traduzir em relaxamento.

“Muitos analistas poderiam falar hoje da confusão do inimigo, do impasse estratégico e da redução de suas opções como resultado do sucesso de nossas forças armadas e do fracasso dele em alcançar seus objetivos”, afirmou.

No entanto, ele alertou que não se devem deixar levar — com base nessas avaliações — à “complacência nem à inação”. “A indústria de defesa da República Islâmica do Irã deve continuar sua trajetória de progresso, inovação e preparação com ainda mais ímpeto do que antes”, acrescentou.

O ministro também destacou o nível de desenvolvimento alcançado pela indústria militar iraniana, apesar das sanções internacionais impostas ao longo de décadas, e enfatizou a importância de continuar ampliando a produção nacional de mísseis, drones e outros sistemas de fabricação própria.

Paralelamente, ele atribuiu a recente ação do Irã — que anunciou nesta sexta-feira ataques a dois petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz — a vários fatores, entre eles a vontade de recuperar a iniciativa estratégica e a desconfiança em relação às instituições de Washington durante a trégua.

“É evidente que há uma série de motivos por parte do Irã que explicam por que estão agindo assim agora. Acredito que parte disso possa se dever ao desejo de recuperar, de certa forma, a iniciativa e o ímpeto nessa questão”, explicou.

CÉPTICISMO EM RELAÇÃO AOS ESTADOS UNIDOS

Além disso, ele indicou que as autoridades iranianas suspeitam que os Estados Unidos tenham utilizado o cessar-fogo para se reorganizar militarmente. “Além disso, eles expressaram em várias ocasiões seu ceticismo em relação ao fato de os Estados Unidos solicitarem uma trégua principalmente para se rearmar e se preparar novamente para outra fase de violência.”

“Eles perceberam que os Estados Unidos estavam fazendo exatamente isso e decidiram interromper agora essa trégua”, acrescentou.

Ebn al Reza denunciou também que persiste o mal-estar em Teerã devido ao descumprimento de alguns aspectos previstos no memorando de entendimento, tais como a criação de um fundo de desenvolvimento e diversas questões relacionadas à compensação pelo acesso ao Estreito de Ormuz.

“Também acredito que haja frustração por parte do Irã porque alguns dos pontos do memorando de entendimento não foram plenamente aplicados, entre os quais se destacam a criação de um fundo de desenvolvimento e outras questões relacionadas à remuneração pelo acesso ao Estreito de Ormuz. E poderia tratar-se, mais uma vez, simplesmente de enviar uma mensagem”, acrescentou o interino responsável pela Defesa do Irã.

Essa mensagem, concluiu ele, seria dirigida diretamente a Washington para lembrar que Teerã mantém capacidade de resposta diante de uma eventual escalada militar, conforme alertou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, poucas horas antes.

Araqchi alertou os Estados Unidos de que qualquer ato hostil contra seu país será respondido de “forma proporcional” e significará o retorno aberto às hostilidades após horas de relativa calma.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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