Europa Press/Contacto/Lev Radin
MADRID, 7 abr. (EUROPA PRESS) -
O representante permanente do Irã na ONU, Amir Saied Iravani, alertou nesta terça-feira perante o Conselho de Segurança da ONU que os Estados Unidos poderiam “cometer um crime de guerra manifesto e um crime contra a humanidade” caso levassem adiante as ameaças proferidas horas antes pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
“Em relação à ameaça explícita do presidente dos Estados Unidos de cometer crimes de guerra em grande escala e de atacar e destruir a infraestrutura civil essencial do Irã, tal ameaça constitui uma violação flagrante e atroz do Direito Internacional Humanitário e das normas mais fundamentais que regem os conflitos armados”, afirmou durante sua intervenção perante o grupo de 15 países, antes de defender que, caso as concretizasse, “os Estados Unidos assumiriam a responsabilidade plena e inegável de cometer um crime de guerra manifesto e um crime contra a humanidade”.
Iravani garantiu que seu país “não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão atrozes” e que, em vez disso, “exercerá, sem hesitar, seu direito inerente à legítima defesa e adotará medidas recíprocas imediatas e proporcionadas”.
Da mesma forma, lamentou que o Conselho de Segurança não tenha cumprido “sua responsabilidade primordial de manter a paz e a segurança internacionais” no contexto do conflito desencadeado há mais de um mês, e defendeu que tal “incumprimento não priva nem pode privar o Irã de seu direito legítimo de agir”.
O representante iraniano assegurou que a resposta de Teerã após a ofensiva lançada contra seu território por Israel e pelos Estados Unidos “baseia-se firmemente no Direito Internacional” e, nesse sentido, declarou que serão esses dois países que “assumirão a responsabilidade por todas as consequências posteriores”.
Iravani fez essas declarações durante a votação de uma resolução apresentada pelo Bahrein ao Conselho de Segurança que exigia o fim “imediato” por parte do Irã dos ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz e encorajava os países a coordenarem esforços para garantir a segurança marítima, inclusive por meio de escoltas.
“O objetivo deste projeto é evidente”, afirmou, precisando que o objetivo deste texto era “punir a vítima por defender sua soberania e seus interesses nacionais vitais no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que fornece cobertura política e jurídica para novos atos ilegais por parte dos agressores”.
O embaixador considerou que a proposta que de fato recebeu o aval de 11 países “era, em essência, um projeto de resolução dos Estados Unidos”. Além disso, agradeceu a Pequim e Moscou por seu voto “responsável” ao rejeitar o projeto, exercendo assim seu direito de veto no Conselho de Segurança.
Nessa linha, ele se pronunciou sobre o Paquistão, que há dias vem atuando como mediador entre Washington e Teerã com o objetivo de facilitar um processo de negociações que leve ao fim da guerra, e sobre a Colômbia, por se abster.
Da mesma forma, defendeu a resposta “proporcional” de seu país ao impedir a passagem de navios “associados aos agressores” pelo estreito de Ormuz, diante do que qualificou como uma guerra “brutal” contra seu país. Nesse sentido, garantiu que as embarcações “não hostis” poderão atravessar o estreito.
Por outro lado, rejeitou qualquer proposta de cessar-fogo temporário “especialmente à luz da (sua) experiência do mês de junho passado”, em alusão à chamada guerra dos 12 dias, lançada por Israel em meio a um processo de negociações entre Washington e Teerã para tentar alcançar um novo acordo nuclear.
Para o Irã, qualquer solução viável para o conflito em curso deve garantir o fim “definitivo” dos ataques contra seu território e que os dois países assumam “toda a responsabilidade pelo sofrimento que infligiram”, acrescentou Iravani.
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