Publicado 15/05/2026 10:21

O Irã afirma que “ainda há troca de mensagens” com os EUA, apesar da rejeição de Trump à sua proposta

Archivo - Arquivo - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, durante uma reunião no Cairo, Egito, em setembro de 2025 (arquivo)
Stringer/dpa - Arquivo

Araqchi reitera que Teerã "não pode aceitar nada que não seja um acordo justo e equilibrado"

MADRID, 15 maio (EUROPA PRESS) -

O governo do Irã garantiu nesta sexta-feira que “ainda estamos trocando mensagens, embora lentamente”, com os Estados Unidos para tentar chegar a um acordo de paz, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “inaceitável” a última proposta apresentada por Teerã.

“Não podemos aceitar nada que não seja um acordo justo e equilibrado. Por isso não conseguimos chegar a um acordo. Continuamos trocando mensagens, mas lentamente”, disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, durante uma coletiva de imprensa na capital da Índia, Nova Délhi.

Assim, ele voltou a criticar as posições “maximalistas” dos Estados Unidos nas negociações e ressaltou que Teerã “está preparada para ambos os cenários”. “Ou voltamos ao campo de batalha ou voltamos à mesa de negociações. É a outra parte que deve escolher”, afirmou.

“Nós resistimos aos ataques agressivos, resistimos às sanções”, destacou o chefe da diplomacia iraniana, que enfatizou que “o principal problema é a confiança”, segundo informou a agência de notícias iraniana Mehr. “Não podemos confiar de forma alguma nos americanos”, ressaltou.

“As mensagens que recebemos da parte americana são contraditórias: cada dia é diferente do anterior. O tuíte de hoje é diferente do de ontem. Às vezes, enviam várias mensagens contraditórias em um único dia”, explicou Araqchi, que expressou seu desejo de que “os Estados Unidos não cometam um erro” e de que “prevaleça a diplomacia”.

Por outro lado, ele aprofundou que “o Irã nunca buscou nem busca armas nucleares”, como denuncia Washington. “É nossa política. Temos um programa nuclear pacífico e estamos sempre prontos para dar garantias de que continuará sendo pacífico”, acrescentou.

Trump destacou nesta mesma sexta-feira que descartou a última proposta apresentada pelo Irã porque “não gostou da primeira frase do documento”. “Olhei para ela e não gostei da primeira frase, então a joguei fora. Era uma frase inaceitável”, disse ele em declarações à imprensa a bordo do Air Force One após uma visita “histórica” à China, onde se reuniu com seu homólogo chinês, Xi Jinping.

No entanto, mostrou-se aberto a uma suspensão por parte do Irã de seu programa nuclear por 20 anos, embora tenha solicitado um “nível de garantias” por parte de Teerã que assegure que “são 20 anos reais”, ao mesmo tempo em que reiterou seu interesse em retirar o “pó nuclear” após os ataques a instalações nucleares iranianas.

Os Estados Unidos e o Irã estão imersos em um processo de diálogo mediado pelo Paquistão, embora as diferenças nas posições tenham impedido, até agora, a realização de uma segunda reunião em Islamabad, que sediou um primeiro encontro cara a cara após o acordo de cessar-fogo firmado em 8 de abril, prorrogado desde então sem prazo determinado por Trump.

O bloqueio do Estreito de Ormuz e o recente assalto e apreensão de navios iranianos na zona pelas forças americanas têm sido um dos motivos invocados por Teerã para não comparecer a Islamabad, uma vez que considera que essas ações constituem uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo. Apesar disso, ambos os países mantêm seus contatos por meio da mediação de Islamabad.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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