MADRID, 22 mar. (EUROPA PRESS) -
A Guarda Revolucionária do Irã advertiu neste domingo que, se os Estados Unidos atacarem as usinas elétricas iranianas, a resposta será o “fechamento total” do Estreito de Ormuz, ponto estratégico de passagem para a exportação de petróleo do Golfo Pérsico.
“Se os Estados Unidos cumprirem suas ameaças contra as usinas elétricas iranianas, serão adotadas imediatamente medidas punitivas”, destacou a Guarda Revolucionária, corpo militar e ideológico de elite da República Islâmica, em uma mensagem oficial divulgada pela radiotelevisão pública iraniana IRIB.
“Já reiteramos que o Estreito de Ormuz está fechado apenas para o inimigo e para o tráfego prejudicial (...). É possível passar sob uma série de condições específicas que garantam nossa segurança e nossos interesses”, explicou o Irã.
O comunicado aponta quatro medidas de retaliação caso as usinas elétricas sejam atacadas. A primeira é o “fechamento total do Estreito de Ormuz, que não será reaberto até que nossas usinas elétricas sejam reconstruídas”.
Como segunda medida, adverte sobre ataques “generalizados” contra “usinas elétricas, infraestrutura de energia e de tecnologia da informação do regime sionista”.
A terceira é a “destruição total de empresas semelhantes em países da região que tenham participação americana” e a quarta e última é que as usinas elétricas de países da região que abriguem bases americanas passarão a ser consideradas “alvos legítimos”.
A Guarda Revolucionária ressalta que “tudo está pronto para a grande jihad para destruir completamente todos os interesses econômicos dos Estados Unidos” na região da Ásia Ocidental. “Nada pode nos impedir de prosseguir com nossas operações para destruir a infraestrutura energética, o petróleo e a infraestrutura industrial dos Estados Unidos e de seus aliados na região”.
ULTIMATO DE 48 HORAS DE TRUMP
Anteriormente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou um ultimato às autoridades iranianas, às quais ameaçou atacar suas usinas elétricas caso não retomem a circulação pelo estreito de Ormuz nas próximas 48 horas.
A agência de notícias semioficial iraniana Mehr respondeu a essas ameaças compartilhando um mapa regional com vários alvos de infraestruturas elétricas em países vizinhos, acompanhado de uma mensagem: “Digam adeus à eletricidade”.
Entre os alvos estão, por exemplo, uma usina elétrica em Al Jobar, na Arábia Saudita, com capacidade para produzir 4.000 MW; a instalação de petróleo e gás saudita de Ras Tanura; o complexo de gás e dessalinização de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos; o parque solar Mohamed bin Rashid de Dubai, também nos Emirados, ou a usina elétrica e de petróleo de Al Zur, no Kuwait.
Como vem fazendo desde o início da guerra do Irã, há pouco mais de três semanas, o Conselho de Cooperação do Golfo pediu às autoridades iranianas que se abstenham de atacar a infraestrutura regional.
“Reiteramos nossa condenação e repúdio aos contínuos e flagrantes ataques do Irã contra nossos países. Os ataques do Irã contra instalações petrolíferas constituem uma ameaça direta à estabilidade da região”, declarou neste domingo.
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