Iranian Foreign Ministry/ZUMA Pr / DPA - Arquivo
Teerã afirma que essa medida seria vista como “um apoio direto aos responsáveis pela agressão”
MADRI, 7 set. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã advertiu a Coreia do Sul sobre “graves consequências” caso ela realize um destacamento militar no Oriente Médio e afirmou que isso seria visto como “um apoio direto aos responsáveis pela agressão”, em referência aos Estados Unidos, depois que Seul confirmou que estava avaliando essa opção no Estreito de Ormuz, sob pressão de Washington.
“A relação entre o Irã e a Coreia do Sul abrange mais de 64 anos de história, e ambas as nações têm se desenvolvido de forma consistente com base no respeito mútuo”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, que destacou que Teerã “atribui grande importância às suas relações amigáveis” com Seul.
No entanto, ele ressaltou que “dada a situação atual, na qual o povo iraniano se defende da agressão norte-americana e responde com firmeza aos crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos contra mulheres e crianças, qualquer presença militar ou participação em operações de outra nação no Golfo Pérsico ou no Estreito de Ormuz só pode ser considerada um apoio direto aos responsáveis pela agressão, o que acarretará graves consequências”.
“Nenhuma nação soberana e responsável deve ceder à pressão e à intimidação dos Estados Unidos para se juntar à conspiração de agressão e crimes atrozes contra o grande povo iraniano”, destacou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã por meio de uma mensagem publicada nas redes sociais.
Nesse sentido, ele lembrou que o estreito “estava totalmente aberto em 28 de fevereiro”, data do início da ofensiva surpresa dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, ao mesmo tempo em que reiterou que foram esses ataques que causaram os transtornos à navegação na região.
“Washington desencadeou uma guerra ilegal e brutal na região e afetou o fluxo normal do transporte marítimo comercial; os petroleiros estão parados, o comércio foi afetado e os preços da energia estão subindo”, argumentou, antes de afirmar que “o Irã agora tenta repassar ao mundo a conta de uma interrupção que ele próprio provocou e atribui a responsabilidade ao Irã”.
“Na narrativa de Washington, uma guerra iniciada pelos Estados Unidos deve ser apresentada, de alguma forma, como o custo que o comportamento do Irã representa para o mundo”, explicou. “Os Estados Unidos iniciaram a guerra, mas esperam que o mundo inteiro pague a conta, enquanto apresentam o Irã como o causador desse caos. Isso é completamente absurdo!”, acrescentou.
As declarações de Baqaei ocorreram depois que a Presidência sul-coreana confirmou, na sexta-feira, que está analisando opções, incluindo medidas militares, para apoiar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, embora tenha descartado ter tomado uma decisão a esse respeito.
Um porta-voz da Casa Azul afirmou, então, que uma contribuição militar não se resume apenas a forças de combate, mas que há outras “opções”. “Quando se ouve falar em mobilização de tropas, tende-se a associá-la ao combate, mas não precisa necessariamente ser assim”, disse ele, ao mesmo tempo em que negou que essa possível mobilização seja um ponto de atrito entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou em agosto ao Pentágono que reduzisse “substancialmente” os exercícios militares com a Coreia do Norte, destacando a “ótima relação” com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, e a prioridade militar que representa a guerra no Irã, ao mesmo tempo em que criticou Seul por não apoiar sua ofensiva, ao lado de Israel, contra o país asiático.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático