MADRID, 20 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou o Reino Unido de “participar da agressão” lançada em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra o país asiático ao autorizar o Exército americano a usar suas bases no contexto do conflito no Oriente Médio.
“Essas ações serão claramente consideradas como participação na agressão e ficarão registradas na história das relações entre os dois países”, afirmou Araqchi à sua homóloga britânica, Yvette Cooper, durante uma conversa telefônica, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã. “Reservamo-nos o direito inerente de defender a soberania e a independência do país”, acrescentou.
Assim, ele denunciou que a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, lançada em pleno processo de negociações entre Washington e Teerã para tentar chegar a um novo acordo nuclear — como já havia ocorrido com a ofensiva de junho de 2025 — “é contrária a todos os princípios e normas internacionais”, ao mesmo tempo em que criticou o “covarde” assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de outros altos cargos, juntamente com “pessoas inocentes, incluindo mais de 170 alunos de uma escola primária”.
Araqchi criticou a postura “tendenciosa” do Reino Unido e de outros países europeus diante da “agressão flagrante” contra o país e destacou as “medidas defensivas” adotadas pelo Irã contra os Estados Unidos e Israel, ao mesmo tempo em que lembrou “o direito inerente à autodefesa, nos termos do artigo 51 da Carta das Nações Unidas”.
“Respeitamos a soberania dos países vizinhos e não temos intenção de atacá-los, mas, infelizmente, há bases americanas nesses países. Fomos atacados a partir dessas bases e esses países não cumpriram sua responsabilidade internacional de impedir o uso de seu território para a execução de ataques contra o Irã”, explicou o chefe da diplomacia iraniana.
Nessa linha, ele condenou veementemente o ataque lançado por Israel contra o campo de gás de South Pars e a “ausência de condenações diante desse ato perigoso” por parte dos países ocidentais. Além disso, criticou o fato de esses países terem criticado Teerã por sua resposta ao bombardeio, que incluiu o lançamento de mísseis contra uma instalação no Catar.
O ministro das Relações Exteriores iraniano sustentou ainda que, se a intenção é normalizar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, o necessário é “detener” a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, antes de insistir na necessidade de que o Reino Unido e outros países “evitem cooperar com os Estados Unidos e o regime sionista nos âmbitos militar e midiático”.
As autoridades do Irã confirmaram, em seu último balanço, mais de 1.200 mortos pela ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, embora a organização não governamental Human Rights Activists in Iran, com sede nos Estados Unidos, tenha elevado para mais de 3.000 o número de mortos, em sua maioria civis.
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