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As recentes declarações de Trump sobre a eleição do líder supremo são “uma clara violação dos princípios de não interferência nos assuntos internos” MADRID 6 mar. (EUROPA PRESS) -
O representante permanente do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeed Iravani, acusou nesta sexta-feira os Estados Unidos e Israel de realizar ataques “indiscriminados” contra infraestruturas civis, incluindo ataques a zonas residenciais.
“Aeroportos, escolas, hospitais, centros de saúde, edifícios residenciais, instalações esportivas, mesquitas, quartéis da polícia diplomática e outras infraestruturas civis foram deliberadamente atacados e destruídos”, afirmou à imprensa em Nova Iorque, embora tenha se retirado durante a sessão de perguntas.
Iravani lembrou que, no primeiro dia dos ataques, houve um bombardeio contra uma escola primária para meninas no sul do Irã. “175 meninas foram martirizadas nesse ataque. Mais da metade das vítimas só puderam ser identificadas por meio de testes de DNA”, lamentou.
Nesse sentido, ele precisou que “os Estados Unidos e Israel demonstraram que não têm nenhuma ‘linha vermelha’ ao cometer seus crimes”. “As cidades iranianas estão sendo atacadas indiscriminadamente: áreas residenciais densamente povoadas e cidades são alvos deliberados. Esses atos constituem crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, argumentou.
Iravani indicou que sua intenção é “clara”: “aterrorizar civis, massacrar pessoas inocentes”, bem como “causar o máximo de destruição e sofrimento”. “Suas afirmações de que apenas visaram alvos militares são uma mentira e carecem de fundamento. Os fatos no terreno demonstram o contrário”, disse ele. “Até agora, mais de 180 crianças iranianas em todo o país perderam a vida como resultado desta guerra criminosa travada pelos Estados Unidos e pelo regime israelense. Muitas outras também ficaram feridas. Mais de 20 escolas foram danificadas”, disse ele. Iravani informou que um pavilhão esportivo em Lamard, na província de Fars, foi bombardeado mesmo quando as jogadoras de vôlei estavam treinando dentro dele. “Mais de 18 atletas mulheres foram martirizadas e cerca de 100 ficaram feridas”, disse ele.
Por outro lado, lamentou que, apesar das repetidas comunicações ao Conselho de Segurança da ONU, este “tenha permanecido em silêncio”. “Optou por fechar os olhos a estas graves violações, apesar da sua responsabilidade primordial, nos termos da Carta das Nações Unidas, de manter a paz e a segurança internacionais”, argumentou. DIREITO À AUTODEFESA
Iravani também destacou que o Irã exerce “seu direito legítimo à autodefesa, de acordo com o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, até que essa agressão e esse ataque bárbaro cessem”. “Nossa resposta é legal, necessária e proporcional”, afirmou.
Assim, afirmou que as autoridades já estão investigando as informações relativas a ataques em locais “não militares” e detalhou que, de acordo com as avaliações iniciais, “eles podem ter sido resultado de interceptações ou interferências do sistema de defesa dos Estados Unidos, que podem ter desviado dos alvos militares previstos”.
“De acordo com a legislação nacional, cada Estado tem a clara obrigação de não permitir que seu território seja utilizado para atos de agressão contra outro Estado. O Irã não busca a guerra. O Irã não busca uma escalada, mas nunca renunciará à sua soberania”, precisou. Por fim, ele se referiu às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre sua participação na eleição de um novo líder supremo e afirmou que isso “constitui uma clara violação dos princípios de não interferência nos assuntos internos dos Estados consagrados na Carta das Nações Unidas”.
“O Irã é um Estado soberano e independente que não aceita nem permitirá jamais que uma potência estrangeira interfira em seus assuntos internos”, indicou, acrescentando ainda que a seleção do líder “ocorrerá estritamente de acordo” com seus procedimentos constitucionais “e somente com a vontade do povo iraniano, sem qualquer interferência estrangeira”.
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