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MADRID 9 jun. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã afirmou nesta terça-feira que o projeto de resolução apresentado por Washington ao Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão máximo de governo da agência nuclear da ONU, visa “branquear a responsabilidade dos agressores e criminosos”, em alusão aos ataques norte-americanos contra território iraniano.
“Os ataques do regime sionista e dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã interromperam as atividades de verificação e fizeram com que os inspetores da agência abandonassem o Irã por razões de segurança. Agora, os Estados Unidos querem transformar as consequências de seu ataque ilegal em um processo contra o Irã”, indicou o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, nas redes sociais.
Nesse sentido, ele criticou o governo Trump por “inverter as responsabilidades” ao atacar instalações iranianas sujeitas a “salvaguardas” e “perturbar a segurança nuclear”, bem como a verificação dos técnicos, mas, ao mesmo tempo, usar o Conselho para “pressionar” Teerã.
“O Conselho de Governadores não deve ser um lugar para branquear a agressão militar e transferir seus custos para o país vítima. O ataque a instalações sob supervisão da agência e a perturbação do processo de verificação devem ser objeto de responsabilidade internacional de seus autores, não uma base para emitir uma resolução contra um país que foi vítima dessas ações”, afirmou.
Dessa forma, ele reiterou que as medidas de proteção nas instalações nucleares “não se fortalecem com a elaboração de resoluções”, mas “com a condenação” desses ataques, “o respeito aos direitos dos países membros, a prestação de contas e o retorno da agência à sua trajetória imparcial”.
Os Estados Unidos apresentaram um projeto de resolução à AIEA solicitando que Teerã forneça informações sobre o paradeiro de seu urânio enriquecido e conceda acesso imediato aos técnicos em suas instalações nucleares, conforme informou a Bloomberg.
O texto de quatro páginas deverá ser votado esta semana no Conselho de Governadores e enfatiza ainda o apoio a um acordo nuclear, ao mesmo tempo em que solicita a Teerã que se envolva “de forma séria e sem condições prévias” nas negociações.
O Conselho aprovou em junho de 2024 uma resolução — redigida pela França, Alemanha e Reino Unido, signatários do histórico acordo nuclear de 2015, prejudicado pela decisão de Washington de se retirar unilateralmente do mesmo em 2018 — que condenava a falta de cooperação de Teerã. Dias depois, eclodiu a guerra de 12 dias entre Israel, Estados Unidos e Irã.
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