Europa Press/Contacto/Iranian Presidency
MADRI, 26 ago. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã acusou os Estados Unidos de “aniquilar os princípios fundamentais do Direito Internacional” com sua guerra econômica contra o país e alertou sobre o impacto global da normalização desse tipo de tática, acrescentando que “o Canadá é um dos que estão aprendendo a lição”, após a imposição de tarifas ao país por parte de Washington.
“Os Estados Unidos anunciam o ‘Dia D Econômico’. Aqueles que preferem ser obedientes como sombras dizem: ‘Isso está certo’. Mas esperem, isso não está certo de forma alguma”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, em uma mensagem publicada nas redes sociais.
“Quando um valentão declara que todos os bancos, empresas, portos e governos devem escolher entre obedecer aos caprichos de Washington ou enfrentar a vingança americana, isso já não se trata apenas do Irã”, destacou. “Trata-se de aniquilar as normas mais fundamentais do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas, a saber, o respeito à igualdade soberana e à autodeterminação de todos os Estados”, argumentou.
Assim, o porta-voz da diplomacia iraniana destacou que “nenhum Estado decente que valorize sua soberania e seus interesses nacionais aceitará a normalização desse grau de anarquia e assédio sistemático”. “O Canadá é um dos que já está aprendendo essa lição”, ironizou ele, em meio à disputa comercial e financeira entre Washington e Ottawa, impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nessa linha, o presidente do Parlamento do Irã e chefe da delegação iraniana nas negociações, Mohamad Baqer Qalibaf, voltou a criticar o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, por seu anúncio e advertiu Washington de que “isso aqui não é a Normandia”. “Esta é a noite da improvisação e o senhor esqueceu seu próprio roteiro”, ironizou. “O dia do palhaço”, concluiu.
Os Estados Unidos, por meio de Bessent, anunciaram na segunda-feira uma ofensiva comercial para cortar todas as fontes de financiamento do Irã, chegando a ameaçar com sanções todos os países que mantiverem laços comerciais com o país asiático, incluindo a China, a fim de alcançar um isolamento total da economia iraniana.
Essa medida de Washington ocorre, além disso, após o término do prazo de 60 dias que Washington e Teerã estabeleceram para chegar a um acordo global que pusesse fim ao conflito desencadeado após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel lançada em 28 de fevereiro, embora as partes não tenham conseguido fechar um acordo, com temores quanto à possível eclosão de um novo conflito em grande escala.
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