Publicado 14/04/2026 12:40

Iniciativa popular que pede à UE para suspender sua parceria com Israel atinge um milhão de assinaturas

Von der Leyen propôs, em 2025, a suspensão parcial do acordo, embora a medida não tenha obtido unanimidade entre os 27

Archivo - Arquivo - Manifestantes durante uma concentração de cidadãos israelenses para pedir a suspensão do acordo de associação entre a UE e Israel, em frente à sede do Parlamento Europeu, em 27 de maio de 2025, em Barcelona, Catalunha (Espanha). Cidadã
David Zorrakino - Europa Press - Arquivo

BRUXELAS, 14 abr. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia deverá examinar uma Iniciativa Cidadã Europeia que solicita à União Europeia a suspensão total do seu Acordo de Associação com Israel, após ter alcançado nesta terça-feira um milhão de assinaturas de cidadãos provenientes de pelo menos sete Estados-Membros, requisito necessário que obriga Bruxelas a levar em consideração petições com forte apoio social.

A iniciativa, que começou a recolher assinaturas no último dia 13 de janeiro, ultrapassou nesta terça-feira a marca de um milhão de apoios, conforme pode ser verificado no sistema de recolha de assinaturas. Agora, a Comissão deverá verificar as assinaturas e, se for confirmado que os limites estabelecidos foram atingidos, o Executivo comunitário terá de responder no prazo de seis meses, indicando as medidas que adotará, se for o caso.

Especificamente, os organizadores da petição exigem que a Comissão Europeia apresente ao Conselho (dos Estados) a proposta de suspensão total do Acordo de Associação UE-Israel em resposta ao nível “sem precedentes” de “assassinatos e ferimentos de civis” por parte de Israel em Gaza, bem como ao bloqueio da ajuda humanitária na Faixa, entre outras coisas.

“Segundo a Comissão Europeia, o Estado de Israel é responsável por um nível sem precedentes de assassinatos e ferimentos de civis, pelas deslocações em grande escala da população e pela destruição sistemática de hospitais e instalações médicas em Gaza (...) Israel viola múltiplas normas e obrigações ao abrigo do Direito Internacional e não adota as medidas de prevenção do crime de genocídio ordenadas pelo Tribunal Internacional de Justiça”, lê-se na iniciativa.

No entanto, lamentam, a União Europeia “ainda não suspendeu o seu acordo de associação com Israel”, que é “a pedra angular da cooperação bilateral comercial, económica e política entre a UE e Israel”. Os organizadores consideram que os cidadãos da União “não podem tolerar” um acordo que “contribui para legitimar e financiar um Estado que comete crimes contra a humanidade e crimes de guerra”.

A COMISSÃO JÁ PROPOU A SUSPENSÃO PARCIAL

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já anunciou em setembro do ano passado uma série de medidas para suspender parcialmente o acordo com Israel em resposta à situação em Gaza. No entanto, esta iniciativa pede ir um passo além e propor aos Vinte e Sete a suspensão total do Acordo de Associação com o país governado por Benjamin Netanyahu.

Questionado na semana passada em uma coletiva de imprensa sobre se Bruxelas estava considerando retomar a suspensão parcial do Acordo de Associação após a onda de ataques de Israel no Líbano, o porta-voz da UE para Assuntos Externos, Anouar El Anouni, lembrou que a iniciativa continua “em aberto”, mas que não conta com a unanimidade necessária para ser aprovada.

De acordo com o Tratado da UE, os Estados-Membros da UE são soberanos em matéria de política externa, pelo que é necessário que todos e cada um deles estejam de acordo para a tomada de decisões nessa matéria. Segundo El Anouni, a suspensão parcial do acordo comercial com Israel conta, até ao momento, com o apoio de 26 dos 27 Estados-Membros, faltando apenas um país para dar o seu aval.

Dado que a suspensão parcial ainda não alcançou a unanimidade, é previsível que a suspensão total do Acordo de Associação com Israel possa gerar mais rejeição entre os Vinte e Sete, dificultando que uma iniciativa desse tipo seja finalmente aprovada, uma vez que o processo de paz na Faixa de Gaza iniciado em setembro de 2025 continua — apesar de Israel prosseguir com seus ataques.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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