Publicado 21/07/2026 03:43

O incêndio em La Mierla atinge o coração da pecuária da Sierra Norte: “Está queimando o nosso sustento de toda uma vida”

Área florestal queimada durante o incêndio florestal, em 19 de julho de 2026, em Muriel, Guadalajara, Castela-La Mancha (Espanha). Os trabalhos de combate ao incêndio estão sendo muito complicados devido à força do vento, que está empurrando as chamas em
Mateo Lanzuela - Europa Press

GUADALAJARA, 21 jul. (EUROPA PRESS) -

O incêndio florestal que teve início em La Mierla, e que já devastou mais de 26.000 hectares na Serra Norte de Guadalajara, não está apenas deixando para trás uma paisagem carbonizada e uma longa lista de municípios isolados ou evacuados. Ele também ameaça destruir o modo de vida de dezenas de famílias de pecuaristas que assistem, impotentes, enquanto o fogo devora as pastagens, obriga à realocação de centenas de cabeças de gado e coloca em risco o trabalho de gerações inteiras.

Enquanto as equipes de combate a incêndios continuam lutando contra um incêndio de enorme intensidade, os pecuaristas da região vivem uma corrida contra o tempo para salvar seus animais. Muitos tiveram que conduzir o gado para terrenos já carbonizados, que agora se tornaram o único refúgio possível diante do avanço das chamas, enquanto outros admitem já ter perdido parte de seu rebanho ou temem que isso possa ocorrer nas próximas horas.

“A única coisa que nos resta é rezar”. Com essa frase, Fernando Moreno, conhecido como Nano e presidente da Associação de Pecuaristas da Serra Norte de Guadalajara, resume o estado de ânimo de um setor que se sente oprimido pela magnitude do incêndio.

Conforme explicou à Europa Press, a situação é “horrível” para a pecuária da região e afeta praticamente todos os profissionais da área, muitos dos quais continuam percorrendo montanhas e trilhas tentando impedir que as chamas alcancem seus animais.

À ameaça direta do fogo soma-se agora outro problema que compromete a sobrevivência das propriedades: o desaparecimento das pastagens. Nos locais onde o gado conseguiu se pôr a salvo, não há mais alimento, pelo que os pecuaristas terão que recorrer, durante meses, à compra de ração e forragem, com o consequente aumento dos custos para explorações familiares cuja viabilidade fica seriamente comprometida.

A angústia também é expressada por Pilar, mãe de um dos pecuaristas afetados, que descreve uma região em que “o vilarejo está pegando fogo, o gado está pegando fogo e a vida está pegando fogo”. Em seu depoimento, ela clama por mais apoio no local para ajudar a deslocar os animais e lamenta que muitas famílias vejam o esforço de toda uma vida desaparecer em questão de horas.

O drama não termina com a evacuação do gado. Alguns animais estão há até três dias sem poder beber água, mostram-se cada vez mais nervosos e continuam sendo deslocados de um lugar para outro em busca de locais seguros. Até mesmo alguns galpões de gado já foram atingidos pelas chamas, agravando ainda mais a situação.

“SITUAÇÃO DESOLADORA”

De Ujados, o pecuarista David Santos resume outra das grandes preocupações do setor. Embora tenha conseguido colocar suas ovelhas em segurança, levando-as para zonas mais altas da serra, ele reconhece que a perda total das pastagens obrigará a manter, por um longo período, uma alimentação artificial, com o consequente impacto econômico para explorações que já enfrentam um futuro incerto. “A situação é desoladora”, afirma, ao lembrar que muitos dos pinhais destruídos levarão décadas para se recuperar.

O incêndio também está deixando um profundo impacto humano em uma região marcada pelo envelhecimento de sua população. À incerteza daqueles que permanecem confinados soma-se a angústia de inúmeros moradores, especialmente idosos, que tiveram que abandonar temporariamente suas casas ou assistem ao desaparecimento da paisagem que eles próprios ajudaram a preservar durante décadas.

A evolução do incêndio obrigou, nesta segunda-feira, a ampliar as medidas de proteção civil. A coordenação da emergência ordenou a evacuação de Alpedroches e o confinamento de Hijes, Miedes de Atienza, Casillas, Bochones, Romanillos de Atienza e Bañuelos de Atienza, além do fechamento de várias estradas da região.

Além dos números do incêndio, a Sierra Norte enfrenta agora uma ferida que levará anos para cicatrizar. Às mais de 26.000 hectares carbonizados soma-se a incerteza de um setor pecuário que luta para salvar seus animais e preservar um modo de vida intimamente ligado ao território, ciente de que a recuperação da floresta e de muitas propriedades não será medida em semanas nem em meses, mas provavelmente em décadas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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