MELILHA, 3 (EUROPA PRESS)
O presidente da Cidade Autônoma de Melilla, Juan José Imbroda (PP), solicitou nesta segunda-feira ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, que se desloque a Melilla acompanhado pelo rei Felipe VI, após a recente crise migratória registrada nesta cidade autônoma, ao mesmo tempo em que lamentou que nenhum membro do Executivo tenha entrado em contato com ele para se informar sobre a situação na cidade.
Em uma coletiva de imprensa, Juan José Imbroda revelou que recebeu uma ligação do Rei Felipe, com quem manteve “uma conversa interessante e longa” centrada na evolução dos acontecimentos.
“Sua Majestade me ligou e agradeço imensamente por ter se interessado por Melilla nestes momentos difíceis”, destacou o líder de Melilla, que explicou que a principal preocupação das autoridades locais era a possibilidade de que em Melilla “se repetisse a situação vivida em Ceuta”. O presidente da comunidade autônoma garantiu que Felipe VI lhe transmitiu sua preocupação com o ocorrido e afirmou que o monarca sempre demonstrou “solidariedade e apoio” a Melilla.
Além disso, ele lembrou que as visitas oficiais do rei dependem da autorização do governo. “É o presidente Sánchez quem precisa dar o ‘placet’ ao rei para que ele venha a Melilha”, afirmou Imbroda, acrescentando que o monarca já lhe expressou, em diversas ocasiões, “seu interesse em visitar a cidade”. Por isso, ele instou o chefe do Executivo a realizar esse gesto institucional. “Ele poderia dizer: vamos conhecer Melilla, vamos com o Rei a Melilla”, declarou.
“NINGUÉM DO GOVERNO ME LIGOU”
Imbroda também criticou a falta de comunicação do Governo Nacional com as autoridades de Melilla durante a crise. Segundo ele, as únicas ligações que recebeu foram as do Rei Felipe VI, do presidente de Ceuta, Juan Vivas, e do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo. “Ninguém do governo me ligou”, lamentou.
Nesse sentido, ele destacou que a última conversa que teve com um membro do Executivo Central foi “há aproximadamente um ano e meio”, quando o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, lhe comunicou que a situação da alfândega comercial com o Marrocos havia sido resolvida — afirmação que Imbroda questionou, pois essa alfândega nunca mais funcionou como antes de seu fechamento unilateral pelo Marrocos em 1º de agosto de 2018. O presidente de Melilha reivindicou um maior envolvimento do Estado com Ceuta e Melilha, argumentando que ambas as cidades enfrentam dificuldades estruturais decorrentes de sua localização geográfica e da relação com o Marrocos.
“Marrocos fechou a fronteira comercial conosco, quis nos estrangular economicamente e precisamos de atenção especial”, afirmou, ao mesmo tempo em que solicitou mais recursos econômicos, técnicos e humanos para ambas as cidades autônomas. Além disso, defendeu a necessidade de restabelecer uma política migratória comum no seio da União Europeia e criticou a posição do governo espanhol durante a negociação do regulamento europeu sobre migração.
De vista à reunião extraordinária dos ministros da União Europeia convocada para tratar da crise, Imbroda previu uma “reprimenda” à Espanha pelas consequências que a chegada em massa de migrantes pode ter para os demais parceiros comunitários. Por fim, o presidente de Melilla minimizou a eficácia do envio de recursos marítimos anunciado pelo governo para reforçar a vigilância no Estreito e nos arredores de Ceuta e Melilla, ao considerar que a medida é insuficiente diante da magnitude do fenômeno migratório: “Acho que estamos fazendo papel de bobo”, concluiu.
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