EDUARDO PARRA - EUROPA PRESS
Lamenta que a Espanha enfrente a crise de Ceuta “sem um plano” e acusa Sánchez de “ceder” ao Marrocos
MADRID, 7 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente de Melilha, Juan José Imbroda, afirmou nesta segunda-feira que a atitude do governo central diante da crise migratória de Ceuta não se deve apenas à “ineptidão” e apontou para uma possível “má-fé” do Executivo.
“Não faz sentido que seja tão ineficaz; deve haver algo mais”, afirmou Imbroda durante sua intervenção no café da manhã informativo do ‘Nueva Economía Fórum’, protagonizado pelo presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, em Madri.
Além disso, o presidente regional lamentou que a Espanha enfrente a crise “sem um plano” nem um protocolo para responder a uma nova entrada em massa de migrantes, como a ocorrida no final de julho.
“O pior que pode acontecer, ou que já aconteceu, é não termos um plano. Não há um protocolo”, alertou, antes de questionar quais recursos seriam acionados diante de uma nova crise e qual seria o papel da Polícia, da Guarda Civil, das Forças e Corpos de Segurança do Estado ou do Exército. “Não temos isso”, insistiu.
Para Imbroda, essa falta de previsão obriga, além disso, a uma revisão do marco legal. “Melilla e Ceuta são diferentes. Se são diferentes em alguns aspectos, precisam ser diferentes em todos”, defendeu, reivindicando uma modificação nas leis que leve em conta a singularidade de ambas as cidades autônomas.
“CEDER PERANTE MARROCOS É UM GRANDE ERRO”
Diante das declarações vindas de Marrocos que questionam a soberania espanhola sobre as cidades autônomas, Imbroda lamentou que a Espanha ainda não tenha dado uma resposta “contundente”. “Ceuta está em chamas neste momento e pode explodir. Marrocos está insistindo em reivindicar Ceuta e Melilla e ainda não há uma resposta contundente por parte do governo da Espanha”, destacou.
“Há muito tempo, o que fazemos com Marrocos é ceder, e isso é um grande erro. É um erro clássico”, concluiu.
O presidente de Melilha também criticou a falta de decisões durante o mês de agosto e considerou “insuportável” que Sánchez permanecesse de férias enquanto a crise se desenrolava.
APOIO A VIVAS
Nesse contexto, Imbroda também criticou o fato de que, diante da falta de ações, o Executivo esteja agora tentando “atacar Juan Vivas” e “desacreditá-lo”.
“Veja quanta maldade deve haver em um presidente como Vivas, que se deparou com a pior situação já vivida na Espanha e está lutando para superá-la”, destacou.
Por isso, transmitiu “todo o apoio de Melilla” ao presidente de Ceuta e garantiu que ambas as cidades permanecerão unidas diante da situação. “Iremos junto com vocês e com a Espanha até onde for necessário”, afirmou.
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