Publicado 15/07/2026 08:07

A Igreja indenizará as vítimas do padre condenado por abuso

O bispo de Málaga, José Antonio Satué, durante a coletiva de imprensa para comentar a sentença condenatória proferida contra um padre diocesano por ter agredido sexualmente quatro mulheres. Em 15 de julho de 2026, em Málaga (Andaluzia, Espanha).
Álex Zea - Europa Press

MÁLAGA 15 jul. (EUROPA PRESS) -

O bispo de Málaga, José Antonio Satué, informou nesta quarta-feira que “no menor prazo possível” será consignado e colocado à disposição das vítimas “o valor financeiro determinado” pela sentença que condenou um padre a 52 anos de prisão por agredir sexualmente quatro mulheres.

“Essa consignação é feita de forma definitiva e irrevogável”, explicou Satué em entrevista coletiva, ressaltando que a Diocese “renuncia a qualquer reembolso a cargo das vítimas que pudesse lhe caber” em decorrência de recursos. Além disso, indicou que os consultores jurídicos do bispado estão avaliando a conveniência de recorrer da sentença.

Vale lembrar que o Tribunal de Málaga condenou a 52 anos de prisão o padre acusado de agredir sexualmente quatro mulheres com quem mantinha uma relação de amizade, após sedá-las para deixá-las inconscientes; e também por filmá-las. Além disso, foi-lhe imposta a obrigação de indenizar cada uma das quatro vítimas com valores distintos.

Mais especificamente, o réu deverá indenizar as vítimas, de acordo com a sentença, que ainda não é definitiva, nos valores de 94.442 euros, 101.191 euros, 106.594 euros e 100.902 euros, totalizando 403.129 euros. Valores pelos quais, subsidiariamente, o Bispado de Málaga deverá responder.

Durante sua intervenção, ele enfatizou o “compromisso da Igreja com as vítimas” e se referiu à sentença: “Os fatos relatados na decisão judicial nos envergonham e os lamentamos profundamente, especialmente pelas consequências que tiveram e continuam a ter na vida das vítimas”.

Assim, ele afirmou que a Diocese deseja, “na medida do possível, assumir a responsabilidade pela dor que elas suportaram ao longo desses anos e contribuir de forma decidida para aliviá-la”. Por isso, informou que, na manhã desta quarta-feira, enviou uma carta às vítimas, por meio de seus advogados, com três compromissos.

Na carta, em primeiro lugar, indica que coloca à disposição delas, “caso em algum momento considerem que possa ser útil, o serviço diocesano de acompanhamento terapêutico e espiritual para vítimas de abuso”.

Da mesma forma, na carta, ele relembrou sua “disponibilidade para manter um encontro pessoal, se assim desejarem, com o objetivo de ouvir o que quiserem compartilhar, explicar como estamos lidando com essas situações dolorosas e buscar juntos caminhos que contribuam para a erradicação desse flagelo que é o abuso”. “A experiência nos mostra que o que as vítimas nos contam, sua experiência dolorosa, nos ajuda a ser uma Igreja e uma sociedade mais seguras para todos”.

Além disso, na carta, ele informa que “decidiram transferir e colocar à disposição delas, no menor prazo possível, o valor financeiro determinado pela sentença mencionada”.

Mais especificamente, indicou que a consignação “é feita de forma definitiva e irrevogável”, de modo que elas “poderão dispor do valor indicado mesmo no caso hipotético de que alguma decisão posterior venha a reduzir ou até mesmo eliminar o montante estabelecido”.

Ele explicou que “queremos evitar assim, pelo menos nesse ponto, que as vítimas sejam obrigadas a esperar pela conclusão definitiva de um processo que poderia se prolongar no tempo”.

“NENHUMA REPARAÇÃO ECONÔMICA PODE SUAVIZAR O DANO CAUSADO”

O bispo enfatizou que “com essa decisão, queremos colocar as vítimas no centro de nossa atenção e buscar, acima de tudo, o bem delas”. Além disso, ele ressaltou que estão cientes “de que nenhuma reparação econômica pode sanar o dano causado”.

No entanto, ele confia de que “esse gesto possa ajudar as vítimas a sentirem a proximidade e o reconhecimento da Igreja e a disporem, se assim o desejarem, de meios para iniciar os processos de cura que considerarem oportunos”.

Por outro lado, em relação à responsabilidade civil subsidiária da Diocese, o bispo destacou o “máximo respeito pelas decisões judiciais, bem como pelos magistrados e pelo pessoal da Administração da Justiça”, sem prejuízo, segundo ele, “de que os consultores jurídicos do Bispado, de um ponto de vista estritamente jurídico, avaliem a conveniência de recorrer da sentença no que se refere à declaração de responsabilidade subsidiária da Diocese”.

Assim, ele destacou que, “em todo caso, e independentemente do resultado dos recursos que, conforme a lei, possam ser interpostos pelos advogados do Bispado”, confirmou que “as quatro vítimas poderão receber os valores respectivos fixados na sentença”, uma vez que a Diocese “renuncia a qualquer reembolso a cargo das vítimas que pudesse lhe caber em consequência desses recursos”.

Os valores, reiterou o bispo de Málaga durante sua audiência, “decidimos depositá-los e colocá-los à disposição delas imediatamente”.

Por outro lado, após ser questionado sobre o contato com as vítimas após a sentença, ele explicou que “foi quando analisamos a sentença e encontramos uma resposta que acredito que possa ser útil para as vítimas que entrei em contato com elas”, mas ressaltou que “a primeira proposta foi feita aproximadamente um mês antes do julgamento”.

“Entendo que, quando uma pessoa sofreu tanto, pode ficar incomodada e, de fato, na coletiva de imprensa anterior, eu disse com toda a clareza — e continuo dizendo isso agora — que, ao lidar com uma crise como essa, na qual há tanto sofrimento envolvido e tantas questões tão complexas, às vezes podem ser cometidos erros pelos quais pedi desculpas e continuo pedindo desculpas”, disse ele, insistindo que “minha atitude em relação às vítimas, acredito, está clara: houve uma primeira proposta antes do julgamento e esta segunda por meio de uma carta pessoal que enviamos nesta mesma manhã”.

Por outro lado, ele insistiu que “tomamos a decisão de depositar esse dinheiro de forma irrevogável, embora possa ser apresentado algum tipo de recurso mais adiante”. “Há ocasiões como esta em que, se tivermos que correr um risco, é melhor correr o risco de errar em favor das vítimas”, afirmou.

“O que faço é pedir desculpas a vocês porque sofreram por causa de um padre e colocar à disposição o que está ao nosso alcance, que é nosso serviço de apoio às vítimas, minha disponibilidade pessoal e a decisão de depositar esses valores para que possam ter acesso a eles de forma irrevogável e imediata”, acrescentou.

Por fim, ele reafirmou “o compromisso da Igreja de assumir com a máxima responsabilidade qualquer denúncia de abuso e de garantir que nossos espaços sejam ambientes verdadeiramente seguros, livres de qualquer forma de violência ou abuso”.

Ele também enfatizou “nossa vontade mais firme de ouvir, acompanhar e, na medida do possível, reparar as vítimas”. A esse respeito, ele lembrou que, no último dia 18 de junho, ocorreu uma reunião para impulsionar a implementação do Serviço Diocesano de Atendimento às Vítimas e Prevenção de Abusos.

Trata-se, explicou ele, de “uma iniciativa que ampliará as funções do atual Escritório de Recebimento de Denúncias, com o apoio e a colaboração do projeto Repara, da Arquidiocese de Madri”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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