Tomàs Moyà - Europa Press - Arquivo
MADRID, 6 abr. (EUROPA PRESS) -
O ex-vice-presidente Pablo Iglesias indicou que o Podemos, com seu pacto de coalizão com a IU e o Sumar para as eleições na Andaluzia, fez uma “renúncia” para se reimpulsionar e defendeu a “dupla” entre o porta-voz do ERC, Gabriel Rufián, e a eurodeputada “morada” Irene Montero, para relançar a esquerda alternativa.
“Na política, muitas vezes é preciso fazer renúncias; muitas vezes é preciso, como se diz na linguagem militar, entregar uma posição para depois dizer: agora vamos ver a próxima que vem. E a próxima que vier, bem, surgirão outros elementos”, afirmou em declarações à 'RNE', divulgadas pela Europa Press.
Tudo isso depois que o partido assinou na última sexta-feira um acordo de coalizão para integrar a coalizão 'Por Andaluzia', apesar de considerar que tal pacto não reflete o peso de sua formação, ao encabeçar apenas a lista pela província de Jaén. Por enquanto, a cúpula do partido em nível nacional não se pronunciou sobre essa união.
Enquanto isso, Iglesias destacou que o evento de 9 de abril com Rufián e Montero reflete uma espécie de “dupla” de duas lideranças da esquerda, embora sejam de partidos diferentes, e que gera a esperança de criar uma esquerda que se oponha ao PSOE.
O ex-vice-presidente explicou que esse tipo de evento e a opção de alianças entre a esquerda soberanista e a estatal na Catalunha podem gerar uma mobilização, levando a que a esquerda se anime e possa dar “uma surpresa” nas eleições gerais.
E alertou que, em sua opinião, percebe que o PSOE e o Sumar acreditam cada vez menos que possam repetir um governo de coalizão e enquadra nesse estado de espírito a renúncia da segunda vice-presidente, Yolanda Díaz, a se candidatar novamente.
ELOGIOS DO PSOE A MAÍLLO
Em contrapartida, Iglesias opina que o novo impulso para a esquerda alternativa não virá do espaço Sumar, onde “nunca houve primárias para eleger ninguém” e que se insere numa dinâmica de “jogo de tronos” que “consiste basicamente em acabar com o Podemos e receber os aplausos do PSOE”.
“Nunca ouvi María Jesús Montero, nem ninguém do PSOE, dedicar os elogios, o carinho e o amor que dedicava a Antonio Maíllo (...) Era assim que falavam de Cristina Almeida ou de Diego López Garrido (...) Não consigo imaginar ninguém do PSOE dizendo de Anguita o que disseram de Antonio Maíllo”, declarou Iglesias.
Dessa forma, o ex-líder do Podemos afirmou que uma esquerda que “não se diferencie do PSOE” e que diga “estamos aqui para apoiar Pedro Sánchez em tudo” acabará, no final, “desaparecendo eleitoralmente”.
Em contrapartida, defendeu que, se a esquerda seguir outro caminho e avançar com o que representa a “dupla” Rufián, deixando que as bases escolham seus candidatos nas primárias em cada província, o cenário pode ser radicalmente diferente.
ACREDITA QUE RUFIÁN QUER EXPLORAR A UNIDADE APESAR DO NÃO DO ERC
Iglesias assinalou que o porta-voz do ERC "deseja" explorar a opção de alianças que impulsionem a esquerda e assumir essa liderança, dado que possui algo difícil de reunir: o apoio de muitos cidadãos e até mesmo de meios de comunicação "que jamais teriam apoiado o Podemos".
Tudo isso representa “um enorme patrimônio político” que pode unificar a esquerda, mas que se depara com o “não” de seu próprio partido e com o distanciamento do Bildu, que respondeu para que ele não o envolvesse nessas “confusões”.
“A partir daí, acredito que ele tenha basicamente dois caminhos: convencer seu partido de que buscar algum tipo de aliança na Catalunha com outras forças políticas de âmbito nacional, mesmo que o acordo se circunscreva à Catalunha, pode ser bom para, posteriormente, gerar outras dinâmicas em nível nacional. Esse é um caminho que acredito que ele queira explorar”, acrescentou Iglesias.
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