O Hamas afirma estar "levando muito a sério a recuperação dos corpos", mas cita "dificuldades extremas para recuperá-los".
MADRID, 21 out. (EUROPA PRESS) -
O exército israelense identificou o corpo entregue ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na segunda-feira pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) como o do reservista Tal Chaimi, que o havia encontrado no dia anterior durante as operações de busca nos escombros causados pelos bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, no âmbito do acordo de cessar-fogo.
"Após a conclusão do processo de identificação pelo Centro Nacional de Medicina Forense em cooperação com a Polícia de Israel e o Rabinato Militar, representantes das Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram à família do major Tal Chaimi, que foi sequestrado, que seu ente querido foi devolvido para ser enterrado", disse a IDF em sua conta na rede social.
O exército disse que "de acordo com as informações e a inteligência disponíveis, o major Tal Haimi, o falecido comandante do esquadrão de prontidão Nir Yitzhak, caiu em combate defendendo o kibutz na manhã de 7 de outubro e seu corpo foi sequestrado pela organização terrorista Hamas". "Tal Haimi, 41 anos, foi declarado morto em 13/12/23", acrescentou.
A IDF disse que compartilhava "a dor da família" e enfatizou que "continua a investir todos os seus esforços no retorno dos sequestrados falecidos e está se preparando para continuar a implementar o acordo".
Também pediu ao Hamas que "cumpra sua parte do acordo e faça todos os esforços para devolver os reféns mortos às suas famílias e dar-lhes um enterro adequado".
HAMAS ALEGA "DIFICULDADES EXTREMAS" NA RECUPERAÇÃO DOS CORPOS
O líder do Hamas e chefe da delegação de negociação do Hamas, Jalil al-Haya, disse que o grupo está "levando muito a sério a recuperação dos corpos de todos os detidos" e continua seus esforços, mas enfrenta "dificuldades extremas para recuperá-los".
No entanto, ele disse que tinha "total confiança e determinação para implementar totalmente o acordo de Gaza", de acordo com uma declaração divulgada pelo jornal 'Philastin', ligado ao Hamas.
Al Haya disse que o movimento está "comprometido com o acordo de cessar-fogo". "O que ouvimos dos mediadores e do presidente dos Estados Unidos nos confirma que a guerra em Gaza acabou", disse ele, enquanto expressava esperança de que "a ajuda aumentará para atender às necessidades do povo de Gaza".
No dia anterior, o Hamas anunciou a descoberta do corpo agora identificado no enclave e disse que pretendia entregá-lo se as "condições" fossem atendidas, em meio a novos ataques israelenses à Faixa. No entanto, nenhuma entrega foi feita no domingo, em meio aos ataques de represália israelenses que mataram mais de 40 habitantes de Gaza.
O acordo assinado por Israel e pelo Hamas há mais de uma semana exigia que o grupo palestino entregasse os 48 reféns dentro de 72 horas após a entrada em vigor do cessar-fogo. Desde então, o Hamas libertou os 20 reféns vivos e entregou os restos mortais de uma dúzia dos 28 mortos.
Na verdade, a milícia palestina afirmou que já havia devolvido os corpos dos reféns mortos aos quais teria acesso e alertou que a recuperação dos reféns restantes exigiria uma "equipe especializada" para extraí-los dos escombros. Até mesmo Washington reconheceu nos últimos dias que o Hamas precisaria de mais tempo para localizá-los.
O exército israelense desencadeou uma ofensiva sangrenta contra Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2023 que, até o momento, deixou mais de 68.200 mortos e 170.300 feridos, conforme relatado pelas autoridades de Gaza controladas pelo Hamas, embora se tema que o número seja maior, pois os corpos continuam a ser encontrados em áreas das quais as tropas israelenses se retiraram nos últimos dias.
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