Publicado 24/01/2026 15:16

Hungria e Ucrânia envolvem-se em uma troca de declarações com acusações de interferência e uso de minorias

PEQUIM, 12 de janeiro de 2026 — O primeiro-ministro húngaro Viktor Orban discursa no 31º congresso do partido Fidesz em Budapeste, Hungria, em 10 de janeiro de 2026. Orban afirmou em 10 de janeiro que está pronto para liderar a aliança do partido governis
Europa Press/Contacto/Attila Volgyi

MADRID 24 jan. (EUROPA PRESS) - Os governos da Hungria e da Ucrânia protagonizaram nas últimas horas uma intensa troca de acusações, na qual ambas as partes se reprovaram mutuamente por suas posições, com a Hungria acusando Kiev de interferência eleitoral e Kiev acusando Budapeste de usar a minoria húngara da Ucrânia como refém.

Tudo começou com declarações do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que afirmou na sexta-feira que “não acredito que haja qualquer parlamento húngaro nos próximos cem anos que apoie a adesão da Ucrânia à UE”. Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sibiha, afirmou que “o seu plano está condenado ao fracasso”. “Seu chefe em Moscou não durará 100 anos, mesmo que vocês estivessem dispostos a doar todos os seus órgãos. Um dia, a Ucrânia se unirá à UE e emolduraremos esta manchete no Parlamento ucraniano para lembrar suas mentiras durante os próximos cem anos”, afirmou ele em uma mensagem publicada nas redes sociais.

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, interveio para denunciar a “interferência” ucraniana nas próximas eleições húngaras, previstas para 12 de abril. “Sabemos que vocês querem um governo que diga sim a Bruxelas e que esteja disposto a arrastar a Hungria para a sua guerra, mas não vamos permitir isso! O governo soberano húngaro continuará a proteger o país e o seu povo da vossa guerra! A Hungria em primeiro lugar!”, afirmou. Mais tarde, Sibiha mencionou a população húngara da Transcarpátia. “Viktor Orbán e a sua equipa não se preocupam com o bem-estar e a segurança dos húngaros que vivem na Ucrânia. Orbán só quer que eles continuem reféns de suas aventuras geopolíticas e continuar lavando dinheiro por meio de truques e fundações no exterior para construir outro estádio de futebol ou um novo zoológico privado com zebras”, afirmou. Sibiha considera, assim, que “Viktor Orbán está cometendo um novo crime contra o povo húngaro e contra a própria Hungria”. “A entrada da Ucrânia na UE aproximará ainda mais a paz e garantirá segurança e prosperidade para toda a Europa e para toda a nação húngara”, sublinhou. Em contrapartida, o bloqueio húngaro serve para “satisfazer os desejos de Putin”, em referência ao presidente russo, Vladimir Putin. “Nem a Hungria nem o povo húngaro merecem isso”, argumentou, ao mesmo tempo em que destacou que “no que diz respeito às eleições, vocês não devem temer pela Ucrânia, mas pelo povo húngaro, que está cansado de suas mentiras, de sua cleptocracia e de seu ódio”.

A última palavra, até o momento, é de Szijjártó, que Sibiha “acaba de anunciar que o governo ucraniano está participando das eleições húngaras”. “Eles se apresentam com o nome Tisza. Mas, ministro, tenha cuidado! Você perderá muito. Mais do que imagina”, advertiu ele, referindo-se ao conservador Partido Respeito e Liberdade (Tisza), que as pesquisas apontam como tendo boas chances de obter um bom resultado. Entre 100.000 e 150.000 húngaros vivem na província ucraniana da Transcarpátia, uma minoria dentro do total de 1,3 milhão de habitantes da região. Após a dissolução do Império Austro-Húngaro, em 1919, a zona ficou sob o controle da Tchecoslováquia e, após a Segunda Guerra Mundial, foi integrada à República Socialista Soviética da Ucrânia, na URSS. Em 1991, 78% da população votou a favor da autonomia, mas esta nunca foi aplicada.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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