Ali Hashisho / Xinhua News / Europa Press / Contac
MADRID 6 ago. (EUROPA PRESS) -
A ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta quinta-feira que o ataque do Exército israelense, ocorrido em meados de abril deste ano, que matou a jornalista Amal Khalil e feriu gravemente sua colega, Zainab Faraj, no sul do Líbano, pode ser considerado um novo crime de guerra.
“O Exército israelense afirma que não ataca jornalistas, mas os fatos e as evidências demonstram que isso já ocorreu repetidas vezes. Amal Khalil e Zainab Faraj são as últimas vítimas de uma longa série de ataques desse tipo”, lembrou Ramzi Kaiss, pesquisador da HRW para o Líbano.
A ONG destacou que “o contínuo assassinato de jornalistas” por parte de Israel “demonstra uma disposição descarada de cometer atrocidades sem qualquer temor das consequências”, tal como ocorreu no último dia 22 de abril no Líbano, onde, além de matar Khalil, atacaram deliberadamente alvos civis.
A HRW concluiu, após analisar as gravações e consultar os depoimentos das testemunhas, que o Exército de Israel “sabia ou deveria saber que Khalil e Faraj eram civis”. Ambas foram atacadas por duas vezes na cidade de Tiro enquanto cobriam o conflito para o jornal libanês “Al Akhbar”.
Inicialmente, um veículo que circulava à frente do carro delas foi atingido, matando duas pessoas; em seguida, foi o carro delas que foi atacado, o que as obrigou a se refugiar em um prédio próximo, que acabou sendo alvo do Exército israelense, que também impediu o trabalho das equipes de resgate e médicas.
O laudo médico revela que Khalil faleceu devido a uma parada cardíaca, embora apresentasse um ferimento grave na cabeça. “As evidências são claras de que Israel sabia ou deveria saber que se tratava de civis, mas os atacou mesmo assim e impediu que os paramédicos os socorressem por horas”, afirmou Kaiss.
A ONG instou o Líbano a pôr fim de uma vez por todas a esses abusos que Israel comete em seu território e os demais países a tomarem as medidas necessárias para que isso não se repita no futuro. Nesse sentido, exigiu que os principais parceiros de Israel — como os Estados Unidos, o Reino Unido ou a Alemanha — deixem de fornecer armas e assistência militar e apliquem as sanções correspondentes.
O assassinato de Khalil, cometido pelo Exército de Israel, faz parte de uma “prática arraigada e documentada” em todos os conflitos dos quais participa, incluindo o da Faixa de Gaza, onde profissionais da mídia são atacados sob pretextos absurdos de terrorismo, conforme alertou a organização norte-americana Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
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