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O sindicato criado por César Chávez condena as ações das forças de segurança em Ventura, que terminaram com 200 pessoas presas MADRI 12 jul. (EUROPA PRESS) -
O histórico sindicato United Farm Workers denunciou que um número não especificado de trabalhadores rurais ficou gravemente ferido e vários estão desaparecidos durante a grande batida de quinta-feira realizada por agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) na Glass House Farms, o núcleo da indústria legal de cannabis da Califórnia, no condado de Ventura.
Há pelo menos um ferimento grave confirmado pelo sindicato e pelos hospitais: um trabalhador que caiu do telhado de uma estufa em Camarillo, em um incidente sob investigação, disseram fontes médicas e policiais ao Los Angeles Times.
O porta-voz do Corpo de Bombeiros do Condado de Ventura, Andrew Dowd, confirmou ao mesmo meio de comunicação que oito pessoas foram transportadas das instalações de Camarillo e arredores na tarde de quinta-feira para hospitais locais devido a ferimentos, mas não sabia qual era a gravidade deles. Dowd também indicou que outras quatro pessoas foram tratadas no local por ferimentos leves.
As batidas resultaram em pelo menos 200 prisões após um dos incidentes mais graves desde o início das operações do ICE contra migrantes sem documentos no país. Organizações da sociedade civil denunciaram as batidas como ilegais, realizadas por agentes não identificados e mascarados que se recusam a fornecer os mandados sob os quais deveriam agir.
O Partido Democrata, de oposição, chegou a acusar o ICE de ter se tornado uma espécie de "gestapo" (a polícia secreta do regime nazista) sob as ordens do presidente dos EUA, Donald Trump, que denunciou as batidas de Ventura como grupos de "bandidos" que atacaram as forças de segurança com pedras quando elas estavam realizando seu trabalho.
Em uma declaração emitida no final da sexta-feira, o United Farm Workers Union condenou o fato de que "muitos trabalhadores, incluindo cidadãos americanos, foram detidos pelas autoridades federais em fazendas por oito horas ou mais" e que "eles só foram liberados depois de serem forçados a excluir fotos e vídeos da batida".
A Unión de Campesinos aproveitou a oportunidade para condenar o emprego de migrantes menores de idade nessas fazendas. "Infelizmente, não é incomum ter adolescentes trabalhando nesses campos, mas deter e deportar esses jovens não é a solução", disse o sindicato criado por César Chávez, Dolores Huerta e Dolores Huerta há mais de meio século.
"Essas ações federais violentas e cruéis aterrorizam as comunidades americanas, interrompem a cadeia de suprimento de alimentos, ameaçam vidas e separam famílias. Não há nenhuma cidade, estado ou distrito federal onde seja legal aterrorizar e deter pessoas por terem pele escura e trabalharem na agricultura. Essas batidas devem parar imediatamente", conclui o sindicato.
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