Mohammed Talatene/dpa - Arquivo
O Hamas rejeita o desarmamento total e diz que pretende se juntar a um futuro "Exército Nacional Palestino".
MADRID, 11 out. (EUROPA PRESS) -
O Hamas, a Jihad Islâmica e a Frente Popular para a Libertação da Palestina, as três principais facções palestinas em Gaza, insistiram nesta sexta-feira em sua rejeição conjunta a qualquer tentativa de impor uma "tutela estrangeira" na administração do enclave, uma questão "puramente interna dos palestinos".
Em sua declaração, divulgada pelo jornal pró-Hamas Filastin, as três facções insistem mais uma vez que não permitirão que os EUA levem adiante seu plano de impor uma administração transitória estrangeira em Gaza, o que é visto como um dos principais obstáculos à iniciativa projetada pela Casa Branca.
Aplaudindo os esforços do Catar, da Turquia e do Egito que culminaram na assinatura de um cessar-fogo e na troca de prisioneiros que marcam a primeira fase do plano, as três facções concordam que a cessação temporária das hostilidades e a retirada parcial das forças israelenses em Gaza "representam um fracasso político e de segurança dos planos da ocupação para impor o deslocamento forçado" da população palestina.
"A libertação de centenas de nossos prisioneiros, homens e mulheres, reflete a firmeza da resistência e a unidade de sua posição", acrescentam, antes de pedir à Casa Branca e ao governo Trump que garantam o compromisso de Israel com o acordo.
CONTRA O DESARMAMENTO TOTAL
Também no final da sexta-feira, o oficial sênior do Hamas, Baser Naim, ex-ministro da saúde de Gaza, advertiu que o movimento islâmico não tem intenção de dissolver seu braço armado, as Brigadas Ezzeldin al-Qassam, em um vácuo e que seu plano é integrar suas milícias em um hipotético exército nacional sob a administração de um futuro Estado palestino.
"Ninguém tem o direito de nos negar nossa capacidade de resistir à ocupação militar", disse Naim em uma entrevista à Sky News, antes de enfatizar sua rejeição à administração internacional proposta pelos EUA, que incluiria nomes como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que é amplamente cético na região.
"No que diz respeito a Tony Blair, infelizmente, palestinos, árabes, muçulmanos e talvez outras pessoas ao redor do mundo têm más lembranças dele", disse Naim, que acusou Blair de envolvimento na "matança de milhares de civis inocentes" ao apoiar o envolvimento britânico nas invasões do Afeganistão e do Iraque.
"Ainda nos lembramos muito bem de que ele destruiu os dois países", acrescentou a autoridade do Hamas.
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