Europa Press/Contacto/Nir Alon
MADRID, 22 mar. (EUROPA PRESS) -
O movimento islâmico palestino Hamas respondeu ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, que o único responsável pela liquidação do cessar-fogo na Faixa de Gaza é o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a quem acusou de prolongar artificialmente o conflito e de arriscar a vida dos reféns que ainda estão nas mãos da milícia palestina por uma questão de "sobrevivência política".
Witkoff denunciou nos últimos dias que o Hamas havia assumido posições impossíveis de serem aceitas durante as últimas negociações para aprovar uma segunda fase de cessar-fogo em Gaza, que contemplava novas trocas de prisioneiros palestinos por reféns israelenses, e insistiu na "desmilitarização" do Hamas e na sua retirada de posições de poder no enclave como condições essenciais para a continuidade do diálogo.
O Hamas rejeitou esse ponto de vista, insistindo que o exército israelense não tinha intenção de se retirar das áreas de Gaza onde permaneceu sob os termos do acordo inicial. O porta-voz do movimento palestino, Abdel Latif al-Qanou, também lembrou que o Hamas e o secular Fatah, a espinha dorsal da Autoridade Palestina na Cisjordânia, chegaram a um acordo no Cairo, em dezembro, sobre os detalhes do comitê de profissionais independentes que governaria Gaza ao final do conflito.
"Concordamos em formar esse Comitê de Apoio Comunitário, no qual o movimento, como tal, seria excluído. Governar Gaza não é nossa ambição, mas estamos preocupados com o consenso nacional e estamos comprometidos com seu resultado", acrescentou ele em uma declaração divulgada pelo jornal Filastin, favorável ao Hamas.
Em uma nota positiva, o porta-voz do Hamas apontou que os contatos para tentar salvar o cessar-fogo "não pararam", mas observou que o primeiro-ministro israelense representa um enorme obstáculo. "É ele quem está bloqueando o acordo. A retomada das negociações depende de sua posição e, no momento, ele está priorizando a sobrevivência de seu governo em detrimento da implementação do acordo e das vidas dos prisioneiros israelenses", disse o porta-voz.
Al Qanou também deplorou a posição adotada pelos Estados Unidos, que declarou seu apoio incondicional ao primeiro-ministro israelense. "A retomada da guerra ocorreu sob a cobertura dos EUA e o governo Trump não deve se tornar parte do conflito, mas sim pressionar a ocupação a voltar ao acordo de cessar-fogo", disse o porta-voz.
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