Ricardo Rubio - Europa Press - Arquivo
MADRID, 3 abr. (EUROPA PRESS) -
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) criticou nesta quinta-feira "nos termos mais fortes" a decisão "imoral" do governo húngaro de iniciar um processo de retirada do país do Tribunal Penal Internacional (TPI), uma medida anunciada no contexto de uma visita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que é alvo de um mandado de prisão emitido pelo tribunal.
"Condenamos veementemente o anúncio do governo húngaro de sua retirada do TPI, coincidindo com a visita do criminoso de guerra Netanyahu, que é procurado pelo tribunal por crimes hediondos cometidos por seu exército fascista contra nosso povo na Faixa de Gaza", afirmou.
Ele descreveu a decisão das autoridades húngaras como "cumplicidade flagrante com um criminoso de guerra que fugiu da justiça internacional", de acordo com o jornal palestino Filastin. "É uma violação flagrante do direito internacional e dos princípios da justiça humanitária", disse ele.
O grupo islâmico palestino enfatizou que a decisão de Budapeste "é um tapa na cara do princípio da justiça internacional que reflete os padrões duplos de alguns governos ocidentais, principalmente da Hungria e dos Estados Unidos".
"Essa política enfraquece o sistema internacional de justiça, incita a impunidade e representa uma ameaça direta à paz e à estabilidade globais", disse ele, conclamando a Hungria a "rescindir imediatamente essa decisão tendenciosa e vergonhosa".
Por fim, ele pediu a Budapeste que "cumpra suas obrigações internacionais e entregue o criminoso de guerra Netanyahu ao TPI para que ele responda por seus crimes e receba uma punição justa pelos massacres e genocídio que cometeu contra o povo palestino".
A declaração foi publicada horas depois que o porta-voz do governo húngaro, Gergely Gulyas, anunciou a futura saída de Budapeste do TPI, que não é de forma alguma uma retirada automática. O Estatuto de Roma contempla em seus artigos a possibilidade de um Estado membro denunciar o tratado, embora essa retirada não se torne efetiva até um ano após a notificação formal ao Secretário Geral das Nações Unidas.
Gulyas argumentou que o tribunal de Haia começou como uma iniciativa "respeitável", mas se tornou um instrumento político, um argumento semelhante ao usado por Israel - que não faz parte do Estatuto de Roma - para questionar tanto o mandado de prisão contra Netanyahu quanto as investigações abertas nos últimos anos. A decisão foi imediatamente aplaudida por Israel.
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