O grupo acusa o presidente palestino de "submissão inaceitável a pressões e ditames externos" e de ignorar "acordos assinados".
MADRID, 25 set. (EUROPA PRESS) -
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) criticou o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, por suas últimas críticas ao grupo e lamentou que ele "apoie as exigências da ocupação fascista sobre o desarmamento da resistência", em referência aos seus apelos para que o grupo islâmico entregue suas armas como parte de um acordo para acabar com o conflito.
Izat al-Rishq, uma autoridade sênior da ala política do Hamas, disse que o grupo "lamenta a condenação da resistência pelo presidente da Autoridade Palestina" durante seu discurso em uma conferência internacional em Nova York sobre a questão palestina, "em um momento em que a ocupação e os colonos estão causando o caos em cidades e vilarejos na Cisjordânia ocupada e diante da mais perigosa guerra de extermínio e erradicação na história do povo palestino em Gaza".
"A rejeição de Abbas a qualquer papel para o Hamas no governo representa uma submissão inaceitável a pressões e ditames externos, um desvio dos pilares das relações nacionais internas e do resultado das rodadas de diálogo nacional e dos acordos assinados", disse ele, de acordo com o jornal palestino Filastin.
"É um ataque à vontade do povo palestino, que é capaz de determinar seu destino e escolher quem eles querem que os governe", acrescentou, antes de ressaltar que essa posição "decepcionante" também ocorre depois que os Estados Unidos bloquearam a viagem de Abbas a Nova York para participar da 80ª Assembleia Geral da ONU, da qual ele participará por videoconferência.
Al Rishq também enfatizou que a posição de Abbas vem "em face das políticas claras da ocupação que afirmam a rejeição do estabelecimento do Estado palestino e seus esforços contínuos para minar a Autoridade Palestina, ocupar a Faixa de Gaza, anexar a Cisjordânia e judaizar Jerusalém".
"O povo palestino espera que a liderança da Autoridade Palestina adote posições nacionais sérias que rompam a equação que a ocupação está tentando impor no cenário palestino, inclusive rompendo os grilhões da suserania externa e a coordenação de segurança com a ocupação", disse ele.
"Nosso povo também aguarda o caminho da unidade nacional em face da ocupação fascista, até que as aspirações do nosso povo por liberdade, dignidade e o estabelecimento de um Estado palestino com Jerusalém como sua capital sejam atendidas", reiterou, em meio às crescentes tensões entre o Hamas e o Fatah, o partido liderado por Abbas.
Abbas pediu repetidamente que o Hamas entregasse suas armas e até mesmo defendeu o envio de tropas internacionais para Gaza para proteger a população assim que se chegasse a um acordo para acabar com a ofensiva de Israel, como parte de seu plano para um acordo de paz no Oriente Médio que inclui o controle do enclave pelo governo palestino.
A ofensiva israelense contra a Faixa, lançada após os ataques de 7 de outubro de 2023, deixou até agora mais de 65.400 palestinos mortos e cerca de 167.000 feridos, de acordo com as autoridades de Gaza controladas pelo Hamas, em meio a críticas internacionais às ações do exército israelense no enclave, especialmente sobre o bloqueio à entrega de ajuda humanitária.
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